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2 de Dezembro de 2020
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Artigos / Dr Rui Junior

20/10/2020 | 09:44

Quebrando tabus: A Profilaxia Pós-Exposição ao vírus HIV: O que é? Quando está indicada?

O Coronavírus está em foco atualmente, vírus novo que vem contaminando
milhares de pessoas e rapidamente tornou-se uma pandemia, merece sim total
preocupação e atenção. Porém, mesmo hoje, não podemos deixar de levantar temas
prevalentes em nossa sociedade cuja incidência ainda é alta.
Voltando a falar sobre o HIV (Vírus da Imunodeficiência Adquirida) e com o

intuito de quebrar os milhares de tabus, vamos falar um pouco sobre a Profilaxia Pós-
exposição (PEP). Digamos que por algum motivo você tenha entrado em contato com o

vírus, por exemplo: transou sem camisinha com algum parceiro e, após os dois fazerem
o teste, um descobriu que tem o vírus e ainda não estava em tratamento. Ou então você é
um profissional da saúde e acidentou-se com perfurocortante de um paciente cujo Teste
Rápido (TR) pra HIV tenha sido positivo ou desconhecido. E agora, o que fazer?
É justamente aí que entra a Profilaxia Pós-exposição (PEP) que está disponível no
SUS desde 1999. A partir da exposição ao vírus pode ser lançado mão de medicações por
um período de tempo (28 dias) que quando aderidas diminuem em até 90% a chance de
infecção. A PEP é composta por três medicamentos (dolutegravir, lamivudina e
tenofovir), tomadas uma vez ao dia por 28 dias, sem interrupção. Para ter acesso à
medicação é preciso ter entrado em contato com o risco de infecção pelo vírus HIV e que
este contato tenha ocorrido em até 72 horas, após este período de tempo a literatura traz
que a eficácia da medicação reduz muito. Por esta razão, caso isso aconteça é necessário
procurar o Serviço de Atendimento Especializado de sua cidade e relatar o ocorrido, será
avaliado pelo profissional como, quando e com quem ocorreu a exposição para se ter a
certeza se está ou não indicada a PEP. Alguns exemplos de exposições com risco de
infecção:
1- Percutânea – Exemplos: lesões causadas por agulhas ou outros instrumentos
perfurantes e/ou cortantes;
2- Membranas mucosas – Exemplos: exposição sexual desprotegida; respingos
em olhos, nariz e boca;
3- Cutâneas envolvendo pele não íntegra – Exemplos: presença de dermatites ou
feridas abertas;
4- Mordeduras com presença de sangue – Nesses casos, os riscos devem ser
avaliados tanto para a pessoa que sofreu a lesão quanto para aquela que a provocou.
Confirmado o risco é então realizado um TR para HIV na pessoa exposta e, caso
o TR seja não reagente é prescrita a PEP pelo médico. Por outro lado, sendo reagente o
teste, inicia-se o tratamento para HIV. Finalizados os 28 dias da medicação profilática

(PEP), faz-se um novo TR e a partir de então, repete-se com seis meses e com 12 meses.
E no caso de já ter passado as 72 horas após a infecção, como proceder? Como já
discutimos anteriormente, não há indicação da PEP, porém é feito um acompanhamento
rigoroso deste paciente, com TR sucessivos.

Desta forma, a PEP entra na mandala de prevenção ao HIV, juntamente com os
métodos de barreira (camisinhas), PrEP (profilaxia pré-exposição), dentre outros. Falar
em HIV não deve mais ser um tabu. É discutindo e interando sobre o assunto que nós
somos capazes de vencer o preconceito que tanto mata aqueles que vivem com o vírus.
Dr Rui Junior

Dr Rui Junior

Médico Residente em Pediatria pela UFMT
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