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Artigos / Renan Ferreira

26/01/2021 | 18:19

Redução nos casos de conjuntivite na pandemia pode estar diretamente relacionada aos melhores hábitos de higiene da população

A conjuntivite é um processo inflamatório da conjuntiva, membrana transparente que reveste, principalmente, a área branca dos olhos. Isso ocorre quando um determinado agente, infeccioso ou não, entra em contato com a superfície ocular e provoca uma inflamação. Consequentemente, os vasos sanguíneos se dilatam, fazendo com que o olho adquira uma coloração vermelha característica (hiperemia).  

Os principais sintomas são: incômodo com a luz (fotofobia), lacrimejamento, coceira, sensação de areia nos olhos e vermelhidão ocular. Em geral, o quadro clínico é autolimitado, acometendo os dois olhos, podendo durar até 15 dias, nos casos agudos, e não costuma deixar sequelas.

Mais de 90% dos casos de conjuntivite aguda em nosso meio são causados por vírus e, consequentemente, apresentam elevado potencial de contágio de pessoa a pessoa. Entretanto, no atual cenário de pandemia em que vivemos, dados da Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande evidenciam um fato curioso: a redução significativa do número de casos de conjuntivite aguda no ano de 2020.

Quando analisamos esse cenário é possível sugerir que tal redução pode ter relação direta com os cuidados redobrados com a higiene e o uso mais frequente de álcool em gel, aos quais todos nós estamos sendo submetidos nos últimos meses e, aos poucos, melhorando nossos hábitos de higiene.

Aproveito a oportunidade e cito que a conjuntivite pode ser um dos sintomas de que a pessoa está infectada com o novo coronavírus, entretanto, os recentes estudos nessa área relatam que o acometimento ocular na COVID-19 acontece principalmente nos casos mais graves da doença. Portanto, quando recebo um paciente com sintomas de conjuntivite aguda, penso primeiramente na causa mais comum de todas: infecção por Adenovírus. O tratamento é sempre sintomático (para alívio dos sintomas) e preventivo, a fim de minimizar a disseminação do vírus.

Em conclusão, é notório que os cuidados básicos de higiene como evitar colocar as mãos nos olhos, lavar frequentemente as mãos e distanciamento social fazem grande diferença, e minimizam a propagação das doenças infecciosas, promovendo saúde na população.
Renan Ferreira

Renan Ferreira

é médico oftalmologista, especialista em Retina e Vítreo (CRM MT 9034).
@oftalmologistamt / Verbelo Oftalmologia: Rua Alves de Oliveiras, 1875 – Cristo Rei – Várzea Grande-MT; Telefones: (65) 99207-3884/ (65)2137-0880
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