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Entrevistas

22/07/2017 | 18:19 - Atualizada em 29/07/2017 | 18:23

“Há discursos que precisam ser combatidos como o ’barãonegócio’ e sua riqueza”, dispara Popó Pinheiro

DA REDAÇÃO


“A comunicação multiplataforma tem se revelado um instrumento de transformação social jamais visto. O momento que vivemos não permite mais que o cidadão fique alheio ao que acontece na sua cidade, no seu país. É preciso estar conectado”. E é com esse foco, utilizando as mais variadas formas de transmitir conteúdo, que Marco Polo de Freitas Pinheiro, o Popó, tem encarado o desafio de produzir uma série de programas para a nova grade regional da TV Mais, afiliada da TV Cultura, canal 17.1.

Formado em Gestão Pública, diretor do Mark Instituto de Pesquisa e Opinião há 20 anos, Marco Polo sempre teve bom trânsito em redações e conta que viu uma lacuna no mercado da comunicação mato-grossense para produções que tenham o “casamento” entre o jornalismo e o entretenimento como forma de agregar mais conhecimento e levar as pessoas à reflexão.

“As redes sociais tem tido um papel fundamental no processo de transformação social. Não dá para ignorar a sede de informação que a sociedade tem e de uma forma inteligente, rápida e objetiva. No entanto, os meios mais tradicionais, como a televisão, tem seu peso, e nosso objetivo é explorarmos a integração entre esses meios”, afirma Popó.

Filho do ex-deputado Emanuel Pinheiro da Silva Primo e de dona Maria Helena de Freitas, Popó é casado com Bárbara Pinheiro e pai de dois filhos. Nascido e criado em um ambiente político, faz análises, projeções, lança novos debates e assim tem se dedicado à nova formatação da TV, e também aos projetos que envolvem o GW100 – um grupo criado no aplicativo Whatsapp por ele e alguns amigos e que agora chegou à televisão por meio de um programa semanal.

Popó estreia a coluna “Mais Entrevista” do portal TV Mais News dessa semana. Acompanhe:
 
TV Mais News – Você é um dos idealizadores do GW100, um dos grupos de Whatsapp mais comentados do estado. Como foi que ele nasceu?

Popó - O GW100 é um grupo de Whatsapp que reúne 100 pessoas das mais diversas profissionais, opiniões, crenças, mas que querem falar, debater, contribuir com a sociedade de uma forma geral. O GW100 nasceu da minha agenda de contatos, conversando com dois amigos na Padaria do Moinho decidimos ali mesmo criar o grupo e ver como seria. Isso foi em maio de 2015. Muitos saíram, outras pessoas foram sendo acrescentadas e chegamos a 100 membros, que era o limite do aplicativo na época. O grupo se estabilizou, mantivemos em 100 pessoas, e hoje diria que 70% participam, sendo 30% como militantes ativos e os demais com um pouco menos de participação. Começamos a fazer encontros, almoços às sextas, aos sábados, encontros nas residências, demos origem a muitos outros grupos também. E fomos expandindo a atuação do GW, como a criação do prêmio “The Best GW100”, que escolheu os melhores de 19 categorias.

Cada membro do grupo votou em três representantes de cada categoria e no final fechamos o vencedor de cada. Em maio desse ano fizemos o primeiro, e já estamos programando a edição de 2018. O grupo tem representantes de todas as regiões de Mato Grosso. Ali fomos percebendo como surgiram pessoas que vão além da sua área de atuação, como advogados, por exemplo, que tem uma ampla visão e conseguem transitar por vários temas, dar opiniões contundentes. Há uma boa qualidade de analistas surgindo e que são pessoas que não tem muito espaço para exprimir suas opiniões. O que antes era restrito a um seleto grupo, algumas vezes pessoas comprometidas e que as análises vinham cheias de interesses e vícios.

TVMN – Por isso o GW100 ganhou uma versão televisiva?

Popó – Também. Se existem tantas pessoas brilhantes que tem algo a falar, por que não dar mais espaço para elas? Mesmo percebendo uma lacuna para programas de opinião de qualidade, sem vícios ou amarras a grupos políticos, há muitos anos, depois da criação do grupo GW100 a participação das pessoas no Whatsapp, o apelo por mais espaço para debates e o anseio por expressar opiniões nos deu ânimo para tocar alguns projetos adiante. Começamos ainda na Band, em 2015, logo após a criação do GW. Lá fizemos o “Confronto de Ideias”, um projeto interessante, que deu muito certo e realizamos oito edições, graças ao apoio do meu amigo e presidente da emissora, Pedro Neves. 

A coordenação geral do programa ficou por conta da grande amiga, jornalista Ieda Barros, que faz parte do GW100.


Mas foi um ciclo que se cumpriu. Era muito difícil manter a linha editorial com o alto nível que propusemos, levando sempre opiniões divergentes sobre o mesmo tema. Com a experiência na Band, o Francisco Galindo conheceu o trabalho que fizemos lá e fez o convite logo que decidiu retomar a programação local da TV Mais, para idealizar programar e organizá-los com bom conteúdo, seguindo a linha da TV Cultura, buscando uma audiência influenciadora, preservando a independência dos analistas. E o GW100 passou a compor esse novo momento, inclusive com o nome do próprio grupo, aos domingos, ao vivo.

TVMN - Como tem sido essa experiência de idealizar os programas?

Popó – Na verdade, nunca trabalhei com a comunicação diretamente, mas sou movido à informação e, como telespectador, leitor, cidadão comum, sempre senti falta de uma programação local com conteúdo mais analítico e que tivesse um formato mais livre, com opiniões inteligentes e isentas. Hoje é isso que temos focado com os programas até agora desenvolvidos e o resultado tem sido surpreendente, mesmo com poucas edições no ar, já é possível ver a aceitação do público e comprovar o que já sentíamos, que há público para o que estamos propondo.

Convite aceito, fomos buscar profissionais que se encaixassem nesse perfil com priorizando a qualidade. E foi quando fizemos o convite para a Karol Garcia, que assumiu a direção de conteúdo. A Karol é reconhecida em todo estado como uma grande profissional, já passou por diversos veículos, tem a experiência e a qualidade que pretendíamos, e ficou responsável por montar a equipe para atender essa expectativa. Dessa forma, temos buscado cumprir o desafio de preencher a grade da TV Mais com programas de qualidade. Além do GW, também idealizei o Provocações, que tem o jornalista Alexandre Aprá como editor e apresentador. Reunimos profissionais que tem suas opiniões, mas que também tem um olhar de cidadão, mais preocupados com a coletividade do que com apenas alguns setores da sociedade.

TVMN – E os temas dos programas, como são definidos?

Popó – Todos os temas que palpitam no seio da sociedade mato-grossense nós abordamos. Como um exemplo eu cito o agronegócio. Que não é um vilão, mas sofre uma distorção por parte do que eu chamo de ‘barãonegócio’, que faz um mal horrendo a Mato Grosso. Vamos discutir sim o agronegócio, por exemplo, mas de forma abrangente, mostrando como é possível expandir a riqueza desse agronegócio para setores como educação, saúde, discutindo como a Lei Kandir faz muito mal. O agronegócio na verdade se tornou um grande produto do marketing, com um discurso que distância da realidade, pois tratam como se fosse o único setor produtivo, e eu entendo que nada é mais primitivo que plantar e colher.  Por outro lado, vemos o sucateamento da indústria, pois está ótimo para os ‘barões do agro’. Tentou-se por muitos anos vender a ideia de que Mato Grosso era o celeiro de alimentos e na verdade virou campeão da soja. Agora, a soja não é mais soja, é proteína animal.

Há muitas jogadas, como a soja hoje é chamada de proteína vegetal, nomenclaturas mudam conforme a conveniência. E isso vem sendo feito desde 2002, e tem que ser combatido, com fatos e argumentos, e nosso jornalismo está se pautando em trazer esse tipo de discussão para a sociedade. Outro caso em que há distorção é a contribuição do ICMS desse setor que é de cerca de 1% apenas, mas eles propagam que são 53%, pois colocam o valor agregado, de toda uma cadeia. O tempo todo eles precisam jogar com marketing para amparar o discurso frágil deles.

O ‘barãonegócio’ tem que ser combatido com veemência, um exemplo do mal que isso traz pra sociedade é que o governo Pedro Taques está pagando um preço alto por não ter enfrentado a realidade do setor e não ter colocado o agro no lugar dele para contribuir de forma justa. A permissividade com os barões do agro está levando Mato Grosso a se tornar um estado como Alagoas, Mato Grosso corre o risco de se tornar colônia. Governo Pedro Taques é vitima do sistema econômico, cheio de boas intenções, mas vítimas de um sistema que escraviza o Estado. Faz um projeto de poder político através de distribuição de pessoas ligadas a os barões, em partidos políticos, visando atender exclusivamente interesse deles.

Tanto que na ultima eleição, apoiaram o Pedro Taques, que não tinha dimensão do tamanho do abismo que o sistema econômico implantando por eles tem. Conseguiram colocar o vice, uma pessoa sem escopo politico. Também vamos debater as reformas pelas quais o Brasil passa, a necessidade ou não de um nova constituinte, discutiremos a atuação dos poderes, os desequilíbrio, financiamentos de campanha, temas e subtemas que vão entreter e nossos analistas estarão livres para dizer o que pensam e o que querem, não faremos um jornalismo pasteurizado, mas sim com abrangência. Inclusive fazendo encaminhamentos.

TVMN – Você fala em multiplataformas, como tem sido esse trabalho?

Popó – É um bombardeio de informações de qualidade, pois ao mesmo tempo que estamos na tv também estamos online, nas redes sociais, nas plataformas existentes e que cada vez mais se tornam acessíveis em todos os lugares a todos os públicos. Por enquanto temos dois programas no ar, além do Programa Popular – com Misael Galvão que tem como foco o jornalismo factual. Em alguns dias estaremos ao vivo pelo portal também, já temos a fanpage dinâmica, com atualizações constantes, sistema de envio automático das notícias do portal pelo Whatsapp, os programas disponibilizados no ‘Mais Play’, ferramenta que idealizei e colocamos dentro do portal também. Esses são os caminhos, e entendo que caminhos sem volta, pois a sociedade está atenta, está fiscalizando, e quer informação precisa e responsável.

TVMN – O que vem pela frente?

Popó – Temos quase um mês de programação nova no ar e posso assegurar que  de fato é só o começo, pois  já temos em mente novos programas. Na área cultural, para o turismo, na área econômica, mais programas de entrevistas, com outros formatos, mas sempre seguindo uma linha editorial mais contundente. Até o fim deste ano teremos certamente dois novos programas.
 
 
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