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Notícias / Agronegócios

05/11/2018 | 13:57

Agricultura familiar: O Agro não é Pop! Ninguém vê o que está por trás do agro pop

TV MAIS

O AGRO QUE NÃO É POP! Agricultura familiar existe
O Agro é pop? O assunto do programa GW100 de domingo (03) levantou a questão de uma campanha publicitária vinculada na televisão que passa a imagem de um agronegócio bom para todos, que gera emprego e movimenta a economia do país. A comentarista e cientista política, Christiany Fonseca levantou a discussão para questionar o que está por trás do agro pop.
“Quando o agro vai para os números, diz que gera 19 milhões de empregos, porém, quase 80% deles são provenientes da agricultura familiar, por isso esse agro são os que menos empregam e os que menos pagam impostos. A ideia é trazer essa outra visão do agro”. Christiany acrescenta ainda que se trata um agro dos barões. 
“Agro é Tech, Agro é pop” mostra o negócio (economia) que o agro proporciona às indústrias e ao consumidor final e os convidados para discutir o tema foram os professores da Universidade Federal de Mato Grosso, Esdson Caetano e Melison Neves, e o presidente da UNICAFES-MT e presidente da COPERREDE, Nilfo Wanscheer. 
Para Maelison Neves, pesquisador do núcleo de estudos ambientais e de saúde do trabalhador, “a campanha é uma temática provocativa, uma estratégica de marketing”. Ele acredita que se trata de um discurso de que o Brasil carrega o agronegócio nas costas e na verdade, segundo ele, é uma estratégia para disfarçar impactos sociais. Como exemplo ele cita a campanha sobre a cana de açúcar aparece o trabalho escravo e isso passa despercebido, a própria campanha mostra as contradições. “É importante refletir de que forma esse modelo agro é distribuído”.
“Existe toda uma construção que tentam vender uma imagem de um setor como se ele fosse não só moderno, mas que seja capaz de promover uma melhoria de vida para toda uma população”. É a reflexão do professor Edson Caetano, e ainda reflete que a campanha passa a ideia de que somente o agronegócio produz alimentos e como se a agricultura familiar não existisse.
Edson lembra de questões que são importantes lembrar, mas que não são discutidas como os impactos sociais do agrotóxico, as disputas por terras, degradação da natureza, aumento da violência no campo. “É preciso ter um olhar crítico, e não tão somente numa propaganda televisiva que passa, principalmente, nos canais de maior audiência”. Comenta
Ao abordar o assunto de empregos gerados nos campos ele faz questão de apresentar dados de que 60% dos empregos gerados no setor, é da agricultura familiar. Faz a reflexão também dos dados comprovam que esse agro que sustenta as famílias brasileiras. 
Nilfo Wanscheer é da agricultura familiar no município de Lucas do Rio Verde, 335 km de Cuiabá, e defende a questão do trabalhador. “O trabalhador vive cada vez mais para trabalhar, e não trabalha para viver”. Pontua ele. Disse ainda que a agricultura familiar deve estar nas políticas públicas e quando a comentarista pergunta se o agro é pop ele questiona “como vamos ser inseridos no agronegócio pop? ”. 
Christiany questiona os entrevistados sobre os incentivos fiscais e ampliação de receitas, Maelison Neves lembra que classe que recebe muito dinheiro reclama que paga muitos impostos só que garante que quem paga mais é quem ganha menos, ou seja, a classe trabalhadora.  “Quais são os valores que irão nortear os rumos na nossa sociedade? ”. Conclui. 
Para Edson Caetano, a ideia de que é inadmissível que um setor (agronegócio) deixe de pagar impostos sendo que outros setores produtivos e outras pessoas pagam. Já para Nilfo Wanscheer a classe é tratada como pobre. “Como que não contribui, que não faz alguma coisa para o Estado e o desenvolvimento. Mato Grosso é visto como o estado do agronegócio e não se fala de agricultura familiar, como se não existisse”, enfatizou.
Edson atribui isso à falta de representantes no espaço político. “O desafio é fazer os políticos enxergarem que estamos vivos”, concluiu e afirmou que vai cobrar do Estado o incentivo à agricultura familiar. 
O programa GW100 é exibido aos domingos às 22h30 na TV Mais, afiliada da TV Cultura em Cuiabá, pelo canal 17.1 HD e transmitido pela página da tvmaisnews.com.br e tem como principal objetivo levar discussões sobre diversos assuntos de interesse da sociedade e principalmente do povo mato-grossense, com discussões e reflexões de diversos assuntos e áreas.
 
 
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