Mato Grosso,
Terça-feira,
15 de Outubro de 2019
informe o texto a ser procurado

Notícias / Você viu?

19/03/2019 | 09:46

Escola que sofreu massacre em Suzano volta a receber alunos nesta terça em atividades de acolhimento

Escola que sofreu massacre em Suzano volta a receber alunos nesta terça em atividades de acolhimento

Foto: Reprodução

A Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, volta a receber alunos nesta terça-feira (19), em atividades de acolhimento.

Os pais e aqueles outros convidados dos estudantes também serão recebidos.

Segundo a Secretaria Estadual da Educação, o acolhimento dos alunos começa às 10h, com um café da manhã.

Equipes do Governo de São Paulo e da Prefeitura de Suzano prepararam uma série de atividades de acolhimento e atendimentos especializados. Todas as atividades serão livres para quem quiser participar.

Para os estudantes, serão oferecidas atividades esportivas, artísticas e rodas de conversas.

Também haverá atendimento psicossocial especializado para funcionários, alunos e familiares que desejarem com equipes do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) da Prefeitura, psicólogos da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), USP, entre outras instituições.

O encerramento da ação está previsto para as 16h. Segundo a secretaria, a definição sobre a data de retomada das aulas será feita pela direção da escola nesta semana.

Apesar das atividades na Escola Raul Brasil começarem às 10h, teve gente que levantou cedo para ir até a unidade.

É o caso dos irmãos Lucas e Maria Eduarda Levino.





 
Embora traumatizados com as lembranças do massacre, os irmãos querem deixar as lembranças traumáticas para trás. “Nós vamos dar a volta por cima, passar essa barreira porque nos queremos levantar a escola. Todo mundo vai estar meio em choque, mas a escola vai dar força com os psicólogos e agente, com nossos amigos, vamos nos ajudar. A minha sala é bem unida”, afirma Lucas de 16 anos.

A irmã de 14 anos concorda. “O processo é meio difícil, mas tô melhor desde o dia que aconteceu. Antes não podia ouvir ninguém falar que eu já me assustava e ontem eu consegui entrar na escola.”

Alunos de outras escolas estão na frente da Escola Raul Brasil para levar apoio aos estudantes.



Andrea Regina Moraes do Carmo Oliveira é diretora da Escola Estadual leda Fernandes Lopes. Ela e 80 alunos foram até o Raul Brasil se solidarizar com os estudantes que retornam hoje nesta unidade.

“Conversamos bastante sobre o assunto, o amor ao próximo e propusemos uma mensagem para acolher as famílias e alunos que retornam hoje. Essa faixa que nós fizemos ia ficar na escola, mas trouxemos para cá e cantamos louvores. Eles sentiram, são amigos, a escola é próxima. Alguns alunos são amigos. É gratificante porque isso tem que ser construído todos os dias.”


Na esperança de levar alegria para os alunos, membros da Associação Brasileira de Terapia Assistida por Animais foram a escola. “O animal consegue fazer coisas que o próprio ser humano não consegue. Nós estamos aqui, acima de tudo para dar a nossa solidariedade.

Esse momento é muito triste. Estive na escola, é forte, mas a gente tem que dar o apoio para as crianças”, explica o voluntário Carlos Pires.

Em coletiva na última semana, o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares da Silva, afirmou que será respeitado o tempo de luto de cada um. O local foi palco de um massacre que deixou dez mortos na última quarta-feira (13).

Nesta segunda-feira (18), a escola recebeu funcionários, que contaram com apoio de psicólogos e atividades de acolhimento.

A Secretaria Estadual da Educação informou que 30 professores e 10 funcionários de diversas áreas foram até a escola voluntariamente para participar das atividades de acolhimento e foram recebidos por equipes multidisciplinar que prestaram apoio psicológico.

Além disso, 227 famílias passaram pela unidade na segunda-feira, de acordo com a secretaria.

Secretarias do Governo de São Paulo, além de profissionais do Instituto de Psicologia da USP, Unicamp, Centros de Atenção Psicossocial (Caps) da Prefeitura, entre outras instituições, atuaram no local.

Alunos puderam entrar no prédio da escola para pegar seus pertences, que ficaram no local desde o dia do massacre.

De acordo com o cronograma divulgado pela Secretaria Estadual de Educação, serão realizadas atividades livres para apoio psicológico, oficinas, terapia em grupo, rodas de conversa, depoimentos e compartilhamento de boas práticas.

Ainda segundo a secretaria, para dar todo o suporte aos professores e servidores da escola as equipes técnicas de especialistas do Governo de São Paulo e da Prefeitura de Suzano estarão na unidade ao longo de toda a semana.

Com o objetivo de mudar o ambiente escolar, a estrutura interna foi pintada e revitalizada pela Secretaria da Educação, com o apoio da comunidade escolar.

"Precisamos respeitar o espaço, o tempo de cada um, funcionários, alunos, família, no seu processo de luto na sua forma de condução. Como dar apoio, em que momento vai ser mais apropriado? O tempo vai dizer", disse o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares da Silva.

O ataque

Os assassinos de 17 e 25 anos mataram sete pessoas na Escola Estadual Raul Brasil, na quarta-feira (13). Um deles baleou e matou o próprio tio, em uma loja de automóveis.

A investigação aponta que, depois do ataque na escola, um dos assassinos matou o comparsa e, em seguida, se suicidou. A polícia diz que os dois tinham um "pacto", segundo o qual cometeriam o crime e depois se suicidariam.
 
Assista Ao Vivo
 
Sitevip Internet