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08/08/2019 | 08:58

Tempo seco deve predominar até o fim do mês em Cuiabá

Diário de Cuiabá

Tempo seco deve predominar até o fim do mês em Cuiabá

Foto: Reprodução

Desde maio passado, Cuiabá enfrenta dias de tempo seco, condição climática que deve permanecer pelos próximos dias. Não há previsão de chuvas na cidade e os índices de umidade continuam baixos, com a qualidade do ar prejudicada e com potencial para queimadas. A associação desses fatores traz riscos à saúde, principalmente, para quem já possui problemas respiratórios. Normalmente, crianças e idosos são os que mais sofrem.

Neste ano, na capital mato-grossense, a última precipitação pluviométrica registrada foi no dia 14 de maio, com índice de 41 milímetros (mm), de acordo com o 9º Distrito de Meteorologia (Disme), localizado na Avenida da FEB, em Várzea Grande. No domingo (11), a cidade completará 90 dias sem chuva. O clima seco deve predominar até setembro próximo quando as chuvas voltam a ocorrer com mais frequência, mas somente em outubro é que passam a ser mais intensas.

“Não temos previsão de chuva para Cuiabá nos próximos dias. Geralmente, as primeiras precipitações só ocorrem depois da segunda quinzena de setembro”, informou a diretora do 9º Disme, Marina Padilha. Conforme ela, tradicionalmente, a estiagem na Grande Cuiabá começa em meados de abril e segue até setembro. Já em outubro, as chuvas tendem a ser mais frequentes e intensas.

Além disso, a capital também deve continuar a registrar baixos índices de umidade relativa do ar (URA), a exemplo dos últimos dias, que chegou a 20%. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), índices entre 20% e 30% exigem estado de atenção; entre 12% e 20%, estado de alerta; inferior a 12%, estado de emergência.

Especialista credenciado ao Mato Grosso Saúde, o otorrinolaringologista Anderson Botti, alerta que a somatória desses fatores interfere diretamente em todo o sistema respiratório e imunológico das pessoas. De acordo com ele, toda a população precisa estar alerta à ingestão de líquidos, que precisa ser feita com regularidade durante todo o dia, em especial às mães e crianças que estão em período de amamentação. "Toda a imunidade vem da mãe, então a lactante precisa estar muito atenta ao consumo de água, pois o lactente, abaixo de um ano, precisa muito dela para sua proteção imunológica e hidratação, visto que a amamentação é a forma mais importante da criança receber água e nutrientes", disse por meio da assessoria de imprensa.

A importância em se manter hidratado é parte fundamental para auxiliar o sistema imunológico. Segundo o otorrino, as vias respiratórias, quando desidratadas e ressecadas, dão permissão para que substâncias alergênicas, como a poeira e fuligem, causarem maior chances de inflamação do trato respiratório. "A água é um veículo para as imunoglobulinas (anticorpos) que funcionam melhor em meio aquoso, então, se o nosso organismo está desidratado, ou ressecado, está mais propenso às infecções, e esse meio atípico propicia o aparecimento de vírus e bactérias", explicou.

Botti ainda alerta que os aglomerados de pessoas podem propagar os vírus dessa época do ano com muito mais facilidade, em especial dentro de ambientes fechados e com a circulação fechada de ar, que são os casos dos ambientes refrigerados por aparelhos de ar-condicionado. Esses aparelhos retiram muito a umidade do ar, prejudicando ainda mais a qualidade do ar. "Importante a utilização dos umidificadores e nebulizadores, que vão ajudar a manter essa hidratação das vias respiratórias, somado sempre à hidratação via oral, que já melhora as condições da qualidade do muco desse sistema que auxilia a proteção do nosso corpo", afirmou.

Outro fator que deve ser levado em consideração é a resistência dos vírus. "Os vírus vão se alterando e se modificando, então a vacinação anual é importante, pois todo ano são introduzidas novas cepas que ajudam a combater esses novos vírus, e o grupo dos idosos, que têm o seu sistema imunológico enfraquecido em virtude da idade". O alerta que o especialista faz é que, devido ao tempo seco e as narinas ressecadas é comum nessa época do ano aparecer os sangramentos espontâneos nasais, principalmente em criança na faixa escolar. “A hidratação das vias respiratórias com soro fisiológico é a melhor solução para a diminuição desses casos”.

Conforme ele, o otorrinolaringologista sempre deve ser procurado quando há a insistência, ou piora, do quadro de saúde. Botti orientou que os casos onde aparecem a coriza e febre devem ser atendidos pelo pronto atendimento pediátrico. "O otorrino atende aqueles encaminhamentos dos pacientes infantis que apresentam coriza, febre, ressecamento da mucosa e como uma gripe que não sara, o que pode oportunizar um possível agravamento do quadro. Já os adultos nos procuram com o quadro de saúde da garganta seca, raspando, com crosta e ressecamento nasal, crise de rinite alérgica e, principalmente, com a sensação de um pigarro na garganta ou um desconforto faríngeo. Os idosos já apresentam muita tosse seca e prolongada, geralmente com mais de trinta dias, além da irritação da garganta", destacou.

O médico alertou também que o consumo excessivo de sal e de bebidas alcoólicas ajudam na desidratação do corpo. “O sal tira a água do nosso organismo, então, quando ingerida em grande quantidade acaba desidratando o nosso corpo. Outro produto que também engana são as bebidas alcoólicas, onde as pessoas acham que, por ser um produto líquido, estão se hidratando. Pelo contrário! Estão ajudando o corpo a perder água”, orientou. A ingestão de alimentos naturais, como frutas ricas em água, é um bom caminho para esse período, onde o corpo necessita de maior hidratação.

ATIVIDADES FÍSICAS - Durante a prática de atividades físicas, o corpo e os músculos, além de liberar água para equilibrar sua a temperatura, também utilizam essa água para se manterem funcionando, então, durante os exercícios realizados nesse período do ano, é necessária a recomposição de líquidos com maior frequência.

Ainda, por meio da assessoria, Botti relatou que aqueles que praticam exercícios de baixo esforço físico, como uma caminhada, devem levar um isotônico ou uma garrafa de água, para fazer a reposição durante a atividade. Já os atletas que utilizam esforço de médio a alto, devem fazer essa reposição durante o exercício e também no pós-treino, com acréscimo de substrato. “Esse ressecamento no atleta leva, inclusive, a queima da massa magra, pois esse esforço a mais pode levar a uma perda de proteína”, informou.

Os horários para as atividades físicas também devem ser levados em consideração. Para o médico, deve ser respeitado o horário até às 10 horas e depois das 16h. “Além disso, a pessoa pode apresentar queda de pressão e tontura, que estão relacionadas às altas temperaturas e baixa umidade do ar”. Uma dica infalível que o médico dá é para o uso do soro caseiro, que “é excelente e pode ser consumido à vontade”. A produção é simples, bastando diluir duas colheres de sobremesa de açúcar e uma de sal em um litro de água.
 
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