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29/08/2019 | 09:41

Trabalho arqueológico encontra fêmur em parede da Casa de Bem-Bem; veja outros itens

Olhar Direto

Trabalho arqueológico encontra fêmur em parede da Casa de Bem-Bem; veja outros itens

Foto: Wesley Santiago

Os trabalhos de arqueologia realizados na Casa de Bem-Bem (também conhecida como Casa de Nhô Nhô de Manduca), que desabou em 2018, após fortes chuvas que caíram sobre Cuiabá e passa por restauração, fizeram ‘brotar’ importantes peças que contam a história do passado da capital mato-grossense. Diversos objetos como louças, frascos de remédios e até um ‘kit saúde’, fora localizados nos trabalhos emergenciais que estão sendo feitos no imóvel. Além disto, também foi encontrado um pedaço de fêmur, que estava em uma das paredes do local.

A arqueóloga Olivia Bini Pereira Rosa, responsável pelo trabalho de ‘formiguinha’, como ela mesma define, disse que estas obras de restauração são uma oportunidade de saber ainda mais sobre o passado da tricentenária Cuiabá, em um ponto que era altamente frequentado pela cuiabania.

Porém, por outro lado, ela também lamenta a destruição do espaço. “A casa em si está sendo cuidada, mas a vivência do espaço acontecia em todo o quintal também. Tecnicamente, estamos destruindo a história da Casa de Bem-Bem pelo simples fato de pisarmos aqui. Mas isto acontece, o tempo apaga as coisas. O sitio arqueológico está sofrendo alterações”, disse a arqueóloga.
 
Em 15 dias de trabalho, surgiram diversos materiais que poderão ajudar a contar, ainda com mais detalhes, a história do patrimônio. Pedaços de porcelana, pregos, louças, vidros de perfume e remédio intactos, cerâmica, entre vários outros objetos foram localizados.
 
“Foi possível localizar também ganchos de rede, materiais construtivos, luminárias, um kit saúde e até um penico. Nestes dias em que estive aqui, pude determinar três locais onde poderia ser a lixeira da casa. Nestes pontos, é provável que a gente encontre muitos materiais”, disse animada a arqueóloga.

Um fato curioso que chamou a atenção é que, de uma das paredes da Casa de Bem-Bem, foi retirado um pedaço de fêmur. “Ainda não tive tempo de analisá-lo”, disse a arqueóloga, sem confirmar se o osso poderia ser humano.
 
A Casa de Nhô Nhô de Manduca (Casa de Bem-Bem)  é conhecida como um dos mais tradicionais e confortáveis locais tipicamente cuiabanos. Retratava na sua majestosa construção todo o aconchego e receptividade do povo da capital mato-grossense.
 
Dona Bem-Bem, ou Constança Figueiredo, era entre os 13 irmãos Novis Figueiredo, a mais popular.  Os festeiros de São Benedito realizavam as festas isoladas em suas residências com muita fartura.

A partir de 1974 resolveram escolher a mais típica casa cuiabana, a casa de Dona Bem Bem para realização anual, em conjunto, da festa do glorioso Santo, o que permaneceu até 1981. A sua Construção data de 1850 e é em estilo Colonial. Foi tombada pela Portaria Estadual nº 10/98 D.O. 08/06/98 e Portaria Federal nº10/92 D.O.U. 06/11/92 como Patrimônio Histórico.
 
O casarão desabou em 2018, após fortes chuvas. Na época, a 17ª Promotoria de Justiça da Capital requisitou informações do município sobre as medidas de urgência que seriam adotadas para a sua proteção. No Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público Estadual, foi estabelecido o prazo de 30 dias para o município elaborar projeto com medidas emergenciais para evitar a ocorrência de novos danos.
 
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