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13/12/2019 | 09:59 - Atualizada: 13/12/2019 | 10:22

Bolsonaro diz que aluno de universidades brasileiras 'faz tudo, menos estudar'

Em discurso durante um evento no Tocantins na quinta-feira (12), o presidente Jair Bolsonaro criticou as universidades brasileiras dizendo os alunos fazem "tudo, menos estudar".

"Entre as 200 melhores universidades do mundo, tem algum brasileira? Não tem! Isso é um vexame! O que que se faz em muitas universidades e faculdades do Brasil, o [que o] estudante faz? Faz tudo, menos estudar."
Na edição mais recente do ranking THE, da revista "Times Higher Education", a Universidade de São Paulo (USP) foi posicionada no bloco entre o 251º e o 300º lugar. Em edições anteriores, no entanto, esse mesmo levantamento já chegou a considerar a USP entre as 200 melhores do mundo, em 2012 e 2013.

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Além disso, outros renomados rankings internacionais podem contradizer a fala de Bolsonaro. Publicado anualmente, o QS University Rankings inclui a USP entre as 200 melhores desde 2012. Na edição de 2020, publicada em junho, a instituição paulista ficou na 116ª colocação.

Em evento no Tocantins, presidente Bolsonaro critica alunos de universidades públicas

Tanto no THE quanto no QS, a USP é a segunda melhor instituição da América Latina.

Já na edição mais recente do ranking de Xangai, feito pela Shanghai Ranking Consulting e que também avalia centenas de instituições pelo mundo, anunciou a USP subiu várias posições e ficou no bloco entre a 101ª e a 150ª colocação.

No pronunciamento no Tocantins, ele também falou sobre:
No evento desta quinta, o presidente participou do lançamento do programa Governo Municipalista, que prevê investimentos em áreas como infraestrutura, educação e saúde nas 139 cidades do Tocantins.

'Temos algum Prêmio Nobel no Brasil?'

O comentário de Bolsonaro sobre as universidades brasileiras foi feito depois de ele falar sobre a Prova Internacional do Estudante (Pisa).

Feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a avaliação é divulgada a cada três anos e mostra o desempenho dos estudantes de cerca de 80 países em ciência, leitura e matemática. A edição mais recente foi divulgada no início de dezembro.

"A China está em primeiro lugar, nós estamos nos últimos", afirmou Bolsonaro. "Qual a tendência, que poucos falam? Têm vergonha de falar, porque, ó, é desrespeito. Não é desrespeito, é uma realidade. São melhores, vão viver melhores. Quantos e quantos outros países na nossa frente."

A afirmação sobre a China, contudo, é imprecisa, porque quem ficou em primeiro no ranking do Pisa 2018 foi uma "região" do país, que abrange apenas os municípios de Pequim e Xangai, além de duas províncias. Especialistas explicam que essa representatividade limitada não permite a comparação da China com outros países com representatividade nacional, caso do Brasil.

Bolsonaro também disse que "nós somos o último aqui na América do Sul". Na verdade, essa posição ficou com a Argentina. Considerando a América Latina, Panamá e República Dominicana ficaram com as últimas colocações nas três provas: leitura, matemática e ciências.

Em outro momento, dirigindo-se a uma pessoa a quem identificou como "Doutor Pacheco", o presidente perguntou: "temos algum prêmio Nobel no Brasil? Tem?".

E disse mais tarde: "Qual o futuro nosso? O que nos espera lá na frente. O Brasil não vai sair do buraco por causa de uma pessoa só. O meu nome é Messias também, mas não faço milagre".

'Boto no pau de arara o ministro [corrupto]'
No pronunciamento, Bolsonaro também citou que colocaria no "pau de arara" algum ministro que se envolvesse em corrupção.

"Pode ser que haja corrupção no meu governo? Sim, pode ser haja. Pode ser que haja aqui [no Tocantins], e o governador não saiba, o prefeito não saiba". afirmou. (Fonte: G1)
 
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