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Artigos / Ericris Souza

18/04/2023 | 09:51 - Atualizado em 18/04/2023 | 09:55

A cultura do conformismo

Estamos conformados com todas as mazelas que assolam nosso país como: infraestrutura precária, corrupção, desemprego e a violência, apesar, de termos uma “tributação draconiana” que esfolam a classe média e os pobres, não temos um mínimo retorno pelo tanto que contribuímos ao erário, bancamos os privilégios das nossas elites políticas e do funcionalismo público de deixar até mesmo seus homólogos europeus com inveja, em contrapartida, não temos nem uma rodovia trafegável, e algumas repartições públicas não têm o básico para o seu funcionamento.

O problema é que pensamos que o “fracasso nacional” já faz parte das nossas vidas, afinal de contas, somos ensinados a aceitar a nossa realidade como a única alternativa, “esperar o quê? Somos brasileiros”. Já faz parte do inconsciente coletivo do nosso povo que para com o estado temos apenas deveres e não direitos, temos que pagar impostos e cumprirmos a lei, mas não vamos cobrar por uma saúde, educação e segurança públicas de qualidade, as coisas são assim desde muito tempo. É por isso que muitos jovens, veem nos aeroportos a única saída para todo esse “carma” herdado da incompetência das elites das várias fazes da república brasileira.

Fazendo um comparativo, nos últimos anos, houve uma série de protestos e manifestações na França por diversas razões. Um dos mais conhecidos foi o movimento dos "coletes amarelos", que começou em novembro de 2018 como uma resposta a um aumento no imposto sobre combustíveis. Uma coisa que mais me chama a atenção é a participação dos jovens nesse movimento, trazendo para eles a responsabilidade pelo bem-estar da nação, enquanto nossos jovens são tomados pelo conformismo e acham muito mais fácil aprender a se adaptar a uma nova cultura e climas do que tentar mudar esse sistema plutocrata e atrasado em que o Brasil se encontra.  

A onda de protestos na França deveria nos fazer repensar em nossa condição enquanto cidadãos “conformados”. A direita e a esquerda francesa começaram a protestar juntos contra o aumento do custo de vida e que perdura até hoje em diversas frentes e por problemas posteriores, enquanto achamos normais não termos o básico para vivermos e sermos vitimados com a maior taxa de juros reais do mundo, caminharemos para a manutenção do “Status Quo”.
Ericris Souza

Ericris Souza

Advogado e consultor comercial
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