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18/10/2017 | 13:46 - Atualizada em 18/10/2017 | 14:07

Cabo da PM afirma que juíza Selma e promotor inventaram atentado para grampear alvos

RDNews

Cabo da PM afirma que juíza Selma e promotor inventaram atentado para grampear alvos

Foto: Reprodução

O cabo Gerson Ferreira Corrêa Júnior, réu na ação penal derivada das investigações dos grampos ilegais, disse em depoimento que foi orientado a inventar uma história para que o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e o ex-deputado José Geraldo Riva fossem grampeados. O intuito real da interceptação seria de investigar suposta trama de atentado contra a vida da juíza Selma Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, contudo, o caso em si foi preservado e o cabo criou outro. 

A orientação partiu do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco), por meio do coordenador, o promotor de Justiça Marco Aurélio Castro,  e a juíza Selma foi quem relatou o fato. 
O depoimento foi prestado na última segunda (16) aos delegados Ana Cristina Felder e Flávio Stringuetta, então responsáveis pela condução das investigações da chamada “Grampolândia Pantaneira”.

A revelação consta em documento encaminhado ao desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça, em que os delegados elencam fatos revelados pelo cabo no depoimento. Toda a investigação, desdobrada em seis inquéritos, foi encaminhada ao presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Mauro Campbell.

Segundo Gerson, Selma, que teria ficado sabendo sobre o atentado por meio de uma servidora do Fórum da Capital, foi quem lhe passou informações sobre a trama. No entanto, para que a magistrada não aparecesse como fonte da notícia, outro história foi criada.

"Segundo o interrogado Gerson Correa, a Dra Selma Arruda foi quem lhe passou as informações sobre essa trama, as quais lhe foram levadas por uma assessora de outra vara desta comarca, cujos suspeitos eram o ex-govervador Silval Barbosa e o ex-deputado estadual José Riva, para poupá-la de ser implicada como a fonte da informação houve a montagem dessa estória cobertura com o conhecimento dela”, diz trecho do ofício encaminhado a Perri.

Outras revelações

No ofício encaminhado ao desembargador, os delegados listam outros fatos revelados por Gerson, durante o depoimento. Segundo eles, o cabo aponta pagamento de R$ 50 mil do ex-secretário-chefe da Casa Civil, Paulo Taques, para o coronel Evandro Lesco, com o objetivo de bancar as despesas das interceptações ilegais iniciadas durante a campanha para o governo, em setembro de 2014.

Além disso, o relato de Gerson, de que teria ouvido de Paulo Taques que o interesse do ex-secretário nas interceptações era “estritamente político” e que os alvos dos grampos eram adversários do governador Pedro Taques (PSDB). O cabo ainda teria dito que os “alvos políticos” eram repassados a ele pelo coronel Zaqueu Barbosa (ex-comandante-geral da PM).

Operação Esdras

A Polícia Judiciária Civil deflagrou em 27 de setembro a Operação Esdras, que culminou na prisão de oito pessoas, por suposta participação na organização criminosa que teria realizado esquema de interceptações ilegais.

São eles: o delegado Rogers Jarbas, secretário estadual de Segurança Pública afastado; o coronel Airton Siqueira, secretário de Justiça e Direitos Humanos; o coronel Evandro Lesco, ex-chefe da Casa Militar e sua esposa Helen Christy; além do advogado Paulo Taques, ex-chefe da Casa Civil; o sargento João Ricardo Soler; o empresário José Marilson (já em liberdade); e o major Michel Ferronato, do setor de Inteligência da Sesp.
Além das prisões, com a autorização de Perri, os policiais também cumpriram um mandado de fixação de medidas restritivas, um de condução coercitiva e 16 de busca e apreensão.

Na quarta (11), o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Mauro Campbell, determinou que toda a investigação dos grampos (que se desdobrou em inúmeros inquéritos) seja enviada à corte. Ao determinar que as investigações subam, o ministro lembra que o caso já é investigado no STJ, em virtude de indícios do envolvimento de Taques, que possui foro por prerrogativa de função.

Outro lado

A assessoria do TJ ainda não emitiu posicionamento oficial, uma vez que Selma deve retornar de licença nesta quarta (18). A assessoria do MPE também ficou de se posicionar.

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