"Fiquei indignada com a sentença do juiz e extravasei a minha dor gritando em alto e bom som. Como posso aceitar? Então pode matar no trânsito? Outras mães vão continuar perdendo seus filhos e fica por isso mesmo? Saí do plenário do júri chorando inconsolada", desafaba Rosinéia Guimarães, mãe de Katherine Louise Bittencourt e Diego Guimarães Bittencourt. Ambos morreram atropelados pelo pecuarista Celzair Ferreira de Santana, em 18 de novembro de 2007, em Poconé (104 km a sul da Capital).
A revolta da mãe é em razão do resultado da sentença do júri que ocorreu na quarta-feira (4). A pena do pecuarista foi majorada em 7 anos e 10 meses de prisão em regime semiaberto. O julgamento, transferido para a Capital a pedido da defesa do réu, chegou a ser adiado por 4 vezes. A última no mês de junho, quando o condenado alegou problemas de saúde. O trágico acidente que ceifou a vida dos irmãos ocorreu na porta da casa deles.
Os jovens, que tinham acabado de voltar de um almoço com o pai, estavam encostando no meio fio com a motocicleta no momento em que o pecuarista Celzair Ferreira de Santana, embriagado e dirigindo a 134 km/h na via que tinha velocidade limitada a 40 km/h, provocou o acidente que arremessou os dois irmãos. Ambos morreram ainda no local.
Rosinéia, mãe dos jovens, estava sentada na área da casa à espera dos filhos e presenciou o acidente. O motorista abandonou o carro após bater em um poste, na mesma rua, e fugiu a pé, sem prestar socorro.
Recursos protelatórios da defesa do réu tentaram desqualificar o crime para culposo, refutando laudos e apontando que os irmãos teriam contribuído para o acidente ao fazerem uma manobra de conversão irregular na via, mas foram negados já que a perícia apontou que o veículo desenvolvia velocidade de 137 km/h e o pecuarista estava embriagado.
Fonte: GAZETADIGITAL