Após apresentar um atestado médico nesta segunda-feira (20), ficou marcada para o próximo dia 19 de junho a sessão em que será interrogada a tenente Izadora Ledur de Souza Dechamps, do Corpo de Bombeiros, sobre o caso de maus tratos contra o ex-aluno soldado Maurício dos Santos durante treinamento realizado na Lagoa Trevisan, em 2016, mesma época em que morreu Rodrigo Claro, também após ações de Ledur. O atestado apontou que a tenente está grávida de 18 meses e recomendou 5 dias de repouso.
Na audiência realizada nesta segunda-feira (20) foram ouvidas 5 testemunhas, todas militares do Corpo de Bombeiros. A defesa de Ledur, patrocinada pelo advogado Huendel Rolim Wender, insistiu na oitiva da testemunha ST BM Marcizio Oliveira Moraes, o que acabou sendo deferido.
O juiz Marcos Faleiros Da Silva, da 11ª Vara Criminal Especializada da Justiça Militar, então agendou a próxima sessão para o dia 19 de junho, às 13h30, ocasião em que será ouvida a testemunha solicitada pela defesa, bem como será realizado o interrogatório de Ledur.
A denúncia contra Ledur, por este caso de maus tratos, foi recebida em fevereiro de 2022. A vítima, Maurício dos Santos, foi ouvida em julho do mesmo ano. Na audiência ele disse que suplicou para que ela não o matasse durante o treinamento na Lagoa Trevisan.
“Ela pegou, me chamou até ela e pediu para eu passar um cabo por debaixo do pescoço e aí ela começou a fazer sessões de afogamento”, conta. “Me peguei nela e pedi: pelo amor de Deus, para!”. Ledur, por sua vez, repreendeu Maurício e o afogou novamente. “Cê ta louco, aluno? Cê ta louco encostar em oficial?”.
Maurício contou que o coordenador da prova interveio e pediu para que Ledur parasse.
Caso Rodrigo Claro
A morte do aspirante Rodrigo Claro ocorreu em novembro de 2016, após intenso treinamento na Lagoa Trevisan.
Ele chegou a ser levado para o Hospital Jardim Cuiabá, na Capital, onde permaneceu internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) por cinco dias.
Em depoimento, colegas de curso informaram que Rodrigo vinha sendo submetido a diversos "caldos" e que chegou a reclamar de dores de cabeça e exaustão.
Ainda assim, ele teria sido obrigado a continuar na aula pela tenente, que na época era responsável pelos treinamentos dos novos soldados da corporação.
A tenente foi afastada logo após a morte. No entanto, segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Júlio Cézar Rodrigues, esta não foi a primeira vez que ela estava sendo investigada por cometer excessos nos treinamentos.
Da primeira vez ela foi acusada - em uma denúncia anônima ao Ministério Público Estadual (MPE) - de fazer pressão psicológica em alunos durante os treinos do 15º curso de formação dos bombeiros.
Em setembro de 2021, o juiz Marcos Faleiros, julgou parcialmente procedente o pedido da acusação, e determinou a prisão de Ledur como crime militar por maus-tratos.
Em agosto de 2022, no entanto, a 11ª Vara Criminal de Cuiabá teve o entendimento que prescreveu a pena de Ledur.
Em despacho publicado no Diário Oficial do Estado do último dia 14 de março o governador Mauro Mendes (União) declarou extinta a punibilidade da bombeiro militar 1º tenente Izadora Ledur Souza Dechamps.