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14/06/2024 | 11:10

​Gisela rebate Abílio por dizer: "Mulher aborta para curtir a vida"

TVMais News

​Gisela rebate Abílio por dizer:

Foto: Assessoria

A deputada federal Gisela Simona (União) criticou o deputado federal Abílio Brunini (PL), após o parlamentar afirmar que há mulheres que abortam porque ainda querem “curtir”.

A declaração de Abílio foi feita em discurso na Câmara Federal enquanto ele defendia o Projeto de Lei 1904, que equipara o aborto de gestação acima de 22 semanas a homicídio, mesmo em caso de estupro.

 

“É uma baita covardia. Querer destruir a vida humana porque simplesmente ainda quer curtir e viver de outra forma. Ah, mas é a criança, adulto ou adolescente? O bebê não tem culpa de nada”, disse o deputado no plenário.

O PL, que tramita com urgência na Câmara Federal, propõe que as vítimas que fizeram aborto após as 22 semanas de gestação devem responder por homicídio perante a Justiça, podendo pegar pena máxima de 20 anos. Enquanto isso, a pena para estupro é de 6 a 10 anos de prisão; já a de estupro de vulnerável é de 8 a 15 anos.

"Inadmissível"

 

“Deveríamos estar discutindo o aumento da pena para o abusador e não o contrário. Vamos punir a vítima duas vezes. Isso é inadmissível”, afirmou Gisela.

 

Atualmente, no Brasil é permitido o aborto em três casos: anencefalia fetal; gravidez que coloca em risco a vida da gestante e gravidez que resulta de estupro.

 

Para Gisela, equiparar o aborto legal ao crime de homicídio é uma "imoralidade" e uma "inversão dos valores". Pois, segundo ela, a proposta é um retrocesso para mulheres e crianças que sofreram estupro e acabaram engravidando do agressor.

 

“Não podemos admitir que uma mulher estuprada seja punida e, pior ainda, com uma pena ainda maior que a do estuprador. É uma proposta que revitimiza as mulheres violentadas”, disse.

 

Gisela lembra ainda que a proposta ainda vai na contramão, uma vez que o projeto irá inibir as denúncias de violência, pois as mulheres não vão se sentir segura em denunciar a violência sexual, sabendo que pode ser mais penalizada do que quem a violentou. 
 
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