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15/05/2026 | 08:47

VG celebra 159 anos e população ainda sofre com falta de água

Crise no abastecimento demonstra ausência do poder publico que não consegue resolver o grave problema e garantir o direito básico do cidadão

Redação VGN

No aniversário de 159 anos, nesta sexta-feira (15.05), Várzea Grande, segundo maior município de Mato Grosso, com aproximadamente 318 mil habitantes, segundo estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE) DE 2025, evidencia um desafio que vai além da infraestrutura, envolvendo planejamento, gestão eficiente dos recursos hídricos e cumprimento das obrigações legais.

As denúncias sobre o problema crônico na crise do abastecimento de água viraram alvo de investigações atingindo na atual gestão municipal da prefeita Flavia Moretti (PL), eleita com o discurso de resolver o histórico problema da água no município, uma das principais demandas da população. No entanto, a persistência das falhas no abastecimento e o avanço das investigações ampliam a pressão sobre a administração.

Nos últimos dias, decisões judiciais, manifestações de órgãos de controle e relatos da população evidenciam problemas estruturais no sistema de abastecimento, além de suspeitas de irregularidades envolvendo o Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE/VG).

As denúncias deixaram de ser estatísticas e passaram a ter nome, endereço e rotina afetada.

Na Rua Prefeito Abreu Menezes, no bairro Cohab Cristo Rei, a moradora Ana Maria Silva relata dificuldades diárias causadas pela falta de água, chegando a ficar 20 dias sem uma gota na caixa d’água.

“Ficar 20 dias sem uma gota de água é desumano. A gente precisa se virar como pode carregar balde, pedir ajuda para o vizinho… não dá para viver assim. Água é o mínimo para qualquer família”, afirmou.

O problema prolongado na falta de fornecimento d’água deixa claro ausência do poder público, falha na prestação de serviço essencial, impactando diretamente a qualidade de vida, a saúde coletiva e o desenvolvimento social das comunidades afetadas.

Já no bairro Manga, na região do Cristo Rei, o problema é outro, mas igualmente essencial. O morador José Antônio Fialho afirma que há pelo menos três semanas o abastecimento é irregular.

José conta que a rotina da família precisou ser totalmente adaptada diante da instabilidade no fornecimento. Segundo ele, atividades simples, como cozinhar, tomar banho e lavar roupas, passaram a depender de armazenamento improvisado e, muitas vezes, da ajuda de vizinhos.

“Quando a água chega, a gente corre para encher o que dá, mas não dura. É um sufoco constante”, disse.

Ele também afirma que já procurou soluções junto aos canais oficiais, mas até agora não houve regularização efetiva do serviço. Para o morador, o problema vai além de um transtorno pontual e evidencia a fragilidade do sistema de abastecimento na região.

A falta de água, aliada a falhas operacionais, tem sido alvo de críticas recorrentes em diferentes regiões da cidade.

A legislação brasileira reconhece o acesso à água potável como um direito essencial à dignidade humana e à saúde pública. A Constituição Federal de 1988 estabelece que o saneamento básico é dever do poder público, enquanto o Marco Legal do Saneamento Básico determina que os municípios devem garantir o abastecimento contínuo e seguro de água à população.

Diante desse cenário, a recorrente falta d’água, chamou atenção do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, Sérgio Ricardo, que recentemente, classificou a situação como “desumana”, ao comentar o cenário enfrentado pelos moradores da cidade industrial.

Investigação
No Judiciário, uma decisão recente apontou riscos no sistema de abastecimento e cobrou maior controle por parte da administração. A Justiça autorizou apuração contra a prefeita Flávia Moretti por suspeitas de corrupção relacionadas ao DAE/VG.

As denúncias dos moradores deixam claro que a crise ultrapassa documentos e investigações: ela se impõe, todos os dias, na rotina de quem depende de serviços básicos para viver com dignidade.
 
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