03/08/2026 | 09:23
Município de MT e vereador são condenados por falas homofóbicas durante sessão da Câmara em MT
Decisão da Justiça reconhece responsabilidade pela divulgação de discursos considerados discriminatórios em debate sobre criação do Dia do Orgulho LGBTQIAPN+; caso já havia resultado na condenação de pastores e do pai de um adolescente.
G1 MT
Foto: Reprodução
A Justiça condenou o município de Cáceres, a 220 km de Cuiabá, e o vereador Clodomiro da Silveira Pereira Júnior, o "Pastor Júnior" (PL), por causa de falas consideradas homofóbicas durante uma sessão da Câmara Municipal que discutia a criação do Dia do Orgulho LGBTQIAPN+ na cidade.
A decisão amplia as responsabilizações relacionadas ao caso, que ganhou repercussão em 2023. Na época, dois pastores e o pai de um adolescente também foram condenados ao pagamento de R$ 300 mil por danos morais coletivos em razão dos discursos feitos na tribuna da Câmara.
O episódio ocorreu durante uma audiência pública realizada para discutir um projeto de lei que propunha a inclusão do Dia do Orgulho LGBTQIAPN+ no calendário oficial do município. Durante a sessão, líderes religiosos e outros participantes fizeram pronunciamentos que, segundo o Ministério Público, ultrapassaram os limites da liberdade de expressão e atingiram a dignidade da população LGBTQIAPN+.
Na ação, o Ministério Público argumentou que houve violação de direitos fundamentais por meio da divulgação de discursos discriminatórios em um espaço público pertencente ao Poder Legislativo.
Inicialmente, o processo também buscava responsabilizar o município pela realização da sessão. Em uma primeira decisão, no entanto, apenas os pastores e o pai do adolescente foram condenados, enquanto a prefeitura foi isentada.
Agora, a nova decisão reconhece a responsabilidade do município e do vereador Clodomiro da Silveira Pereira Júnior pelos fatos relacionados ao caso.
A sessão ocorreu em meio às discussões sobre um projeto de lei que previa a criação do Dia do Orgulho LGBTQIAPN+ em Cáceres. A proposta enfrentou resistência de parlamentares da bancada conservadora e de representantes de igrejas evangélicas. Durante os debates, diversos participantes utilizaram a tribuna para fazer discursos contrários à iniciativa.
O caso gerou repercussão estadual e motivou a atuação do Ministério Público e de entidades ligadas à defesa dos direitos humanos. Em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo, entendimento que fundamenta a responsabilização de práticas discriminatórias no país.
O projeto que previa a criação do Dia do Orgulho LGBTQIAPN+ acabou sendo rejeitado pela maioria dos vereadores e não foi aprovado.