04/08/2026 | 15:07
Fósseis de tartaruga de 80 milhões de anos são achados em sítio paleontológico de Pirapozinho
Uma nova expedição com pesquisadores de várias partes do país começou a percorrer o Oeste Paulista em busca de achados paleontológicos, em uma propriedade rural.
Ana Cláudia Palácio, G1
Foto: Gustavo Luz
Vestígios de tartarugas com mais de 80 milhões de anos foram encontrados em um sítio paleontológico em uma propriedade rural de Pirapozinho (SP), a partir de uma expedição feita com pesquisadores de várias partes do país.
Conhecido como “Tartaruguito”, o local recebeu um grupo formado por nove pesquisadores e estudantes das universidades do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Federal do Espírito Santo (UFES), no sábado (1º).
O sítio recebeu esse nome pela grande quantidade de fósseis de tartarugas encontrados no local, muitas vezes amontoados uns sobre os outros. Entre as espécies identificadas estão a Bauruemys elegans e a Roxochelys wanderleyi. A área também é um dos poucos locais do mundo com registros de um grupo de tartarugas conhecido como Pelomedusoides.
Pesquisador doutorando do Museu Nacional, Joaquin Pedro Bogado Diniz descreve como os animais que viviam há milhões de anos no local foram “escondidos” pelo tempo.
“Peixes, tartarugas, crocodilos morriam ali e depois eram soterrados pela lama e pelas águas das próximas enchentes na próxima estação úmida. Então, aqui nós temos duas camadas muito bem marcadas, onde você pode ver um acúmulo de material que provavelmente foi soterrado durante esses eventos de enxurrada, depois de uma grande seca."
O local onde os fósseis foram localizados fica em uma área de um antigo ramal ferroviário desativado e é considerado um dos pontos mais importantes da região para o estudo de fósseis do período Cretáceo.
Sítio Tartaruguito
Segundo André Eduardo Piacentini Pinheiro, professor de Paleontologia da UFRJ, quando o material encontrado não é da área de pesquisa feita por eles, o grupo encaminha para demais especialistas, a fim de possibilitar mais compreensão sobre o assunto.
“A gente leva para pesquisadores associados, colaboradores, outros profissionais amigos, parceiros, vamos dizer, e aí eles fazem as análises, mandam os dados e a gente complementa as coisas e vai tentando montar esse entendimento da região.”
No sítio, os pesquisadores também já encontraram fósseis do Pepesuchus, um antigo crocodilo que viveu na região de Presidente Prudente há milhões de anos.
Cada descoberta exige paciência, técnica e um olhar treinado. A terra e as camadas de rochas são removidas aos poucos, até que surjam os primeiros sinais.
Para os estudantes de Ciências Biológicas, participar dessa busca é a chance de ver de perto as marcas deixadas pelo passado.