23/09/2026 | 09:17
Santos é condenado a pagar quase R$ 20 milhões ao Cuiabá
Clube mato-grossense cobra pagamento de R$ 18,6 milhões
João Fraga/VGN
Foto: Reprodução/Instagram Cuiabá EC
O Santos Futebol Clube foi condenado a pagar R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá Esporte Clube por uma dívida relacionada à negociação do zagueiro Joaquim. O valor foi definido nessa terça-feira (22.09) pela Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mas o Cuiabá afirma que ainda espera o pagamento imediato e alerta que a decisão, por si só, não resolve a situação.
“Sentença não paga salário.” A frase foi usada pelo Cuiabá ao comentar a condenação. Em nota oficial, o clube afirmou que recebeu a decisão com respeito, mas não com alívio, diante do histórico de atrasos e da possibilidade de novos recursos.
“Sentença não paga salário. O que o clube espera agora é o pagamento imediato. O Santos ainda pode recorrer ao CBMA. O Cuiabá deixa registrado desde já que não aceitará em silêncio o uso de recursos e expedientes processuais com o único objetivo de adiar mais uma vez o que é devido há quase dois anos”, afirmou o clube.
A dívida tem origem na venda de Joaquim ao Santos, em fevereiro de 2023, e na participação do Cuiabá na revenda do jogador ao Tigres, do México. A última parcela do acordo original venceu em janeiro de 2025.
Segundo o Cuiabá, para tentar facilitar o acerto, houve uma renegociação da dívida, com o clube abrindo mão de parte relevante do valor que tinha a receber. O novo acordo foi dividido em cinco parcelas, mas o Santos teria pago apenas a primeira.
O Cuiabá acionou a CNRD em maio de 2025. De acordo com o clube, a sentença levou 16 meses para ser proferida. O Santos ainda pode recorrer ao Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem (CBMA).
Na nota, o Cuiabá também citou outros casos envolvendo o Santos para justificar a preocupação com novos atrasos.
“O histórico recente preocupa: nas cobranças movidas pelo Arouca e pelo Mônaco perante a FIFA, o Santos só pagou depois de receber transfer ban, embora já estivesse condenado havia meses. No mesmo período, seguiu contratando”, afirmou.
O clube mato-grossense também informou que possui outros valores a receber de equipes brasileiras. No caso do Corinthians, a dívida pela venda do volante Raniele foi incluída pela própria CNRD em um plano coletivo de 24 parcelas trimestrais, com pagamentos previstos até 2031, corrigidos apenas pela inflação e sem juros.
“São condições extremamente favoráveis ao devedor e duríssimas para o credor. Mesmo assim, a parcela vencida em 17 de julho segue em aberto”, declarou o Cuiabá.
O Sport também aparece na lista, com uma dívida de aproximadamente R$ 6 milhões pela venda do lateral Matheus Alexandre. Já o Grêmio é citado em um processo relacionado à inclusão de um crédito de aproximadamente R$ 900 mil em plano de pagamento coletivo.
Segundo o Cuiabá, somados, os créditos contra clubes brasileiros ultrapassam R$ 40 milhões.
O clube afirma que a situação tem impacto direto no caixa durante a reta final do Campeonato Brasileiro e rebate uma eventual interpretação de que o problema seja resultado de sua própria gestão.
“Isso não é resultado de má gestão. É consequência de contratos que outros assinaram e não cumprem. Enquanto isso, clubes devedores seguem no mercado, contratando e ampliando folhas salariais. No futebol brasileiro de hoje, quem paga em dia financia quem não paga”, afirmou.
Ao final da nota, o Cuiabá reforçou que pretende continuar cobrando os valores por meio das instituições responsáveis pela resolução das disputas no futebol.
“O Cuiabá não pede favor. Pede que contratos sejam cumpridos e que as decisões sejam executadas com a mesma rapidez com que a FIFA cobra os mesmos devedores. O clube reafirma sua confiança nas instituições do futebol e seguirá cobrando, por todos os meios regulamentares, cada valor que lhe é devido.”