25/04/2018 | 09:16
Cuiabano faz fila em clínicas; médica não vê razão para pânico
Imunização contra o vírus Influenza teve início nesta segunda; procura na rede particular é grande
Fonte: Midia News
A morte de oito pessoas em Mato Grosso vítimas da gripe suína (Influenza H1N1) trouxe alerta aos cuiabanos. Preocupados, muitos procuraram as clínicas de vacinação, inclusive na rede privada, onde são vendidas doses para quem não pertence ao público-alvo da rede pública.
Somente a Clínica Vaciclin, no Bairro Baú, já disponibilizou mais de duas mil doses contra a Influenza este ano. No entanto, conforme a médica Sandra Torquato, todas as vezes em que a vacina foi disponibilizada houve filas.
“Não há por que se desesperar. A vacina é importante e todo mundo deveria se imunizar. Mas não é necessário esse pânico”, disse a médica.
A vacina contra o vírus Influenza é distribuída na rede pública gratuitamente para aqueles pacientes vulneráveis – idosos, crianças até 5 anos, gestantes etc. Já o público que não é contemplado pela gratuidade opta pela rede particular.
A vacina não é para a H1N1, a vacina é para Influenza, para o vírus da gripe. A trivalente combate os vírus de influenza A (H1N1 e H3N2) e o de Influenza B (Victoria). A tetravalente protege de todos esses, mais o vírus chamado Yamagata
Nesta quarta-feira (25) chegam à Vaciclin mais 500 doses, que custam R$ 120 cada. A recomendação dos atendentes é que a pessoa chegue cedo para pegar a senha e ter a garantia da dose.
Outras 500 doses chegarão na próxima semana. A remessa é fatiada porque, de acordo com o diretor da Vaciclin, Olavo Molina, as clínicas particulares enfrentam burocracia imposta pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
“Há uma demora muito grande por causa da Anvisa. É ela quem libera o laboratório a fazer a distribuição. E isso vai de três a seis meses”, disse o diretor.
Na rede pública, a vacinação já começou a ser realizada nesta segunda-feira (23) em todos os postos de vacinação.
Influenza
O vírus H1N1, que tanto preocupa a população, não é o único que a vacina abrange. A médica Sandra Torquato explica que existem dois tipos de vacinas: a trivalente, que protege contra três tipos do vírus da gripe; e a tetravalente, que protege contra quatro. A vacina oferecida na rede particular é a tetravalente.
“A vacina não é para a H1N1. É para Influenza, para o vírus da gripe. A trivalente combate os vírus de influenza A (H1N1 e o H3N2) e o de influenza B (Victoria). Já a tetravalente protege de todos esses, mais o vírus chamado Yamagata”, explica.
“Nós recomendamos a tetravalente. Já que você vai pagar, é melhor se prevenir contra os quatro vírus. Mas o Ministério da Saúde raciocina de forma epidemiológica. A gripe por Yamagata é mais rara. Então o Ministério prefere pagar um pouco menos e ter mais doses para abranger mais pessoas”, afirma.
Ela ainda explica que não há um vírus mais ou menos perigoso. “Qualquer gripe, na sua modalidade, pode vir grave. Não há uma mais grave que outra”.
Rede pública
A campanha de vacinação na rede pública teve início nesta segunda-feira (23) e mais de 300 mil doses da vacina contra a gripe influenza já foram distribuídas para todos os Municípios de Mato Grosso.
O grupo prioritário a ser vacinado é de idosos acima de 60 anos, grávidas e as mães que tiveram o bebê em até 45 dias, além de funcionários do sistema prisional, detentos, professores, pessoas com doenças crônicas e crianças entre seis meses e cinco anos.
Conforme a Secretaria de Estado de Saúde, o número corresponde ao total de 37% das 850.500 doses que o Ministério da Saúde tem de enviar para atender a demanda do Estado.
O Ministério da Saúde continuará a fazer as entregas parceladas até o dia D da campanha, que está previsto para o dia 12 de maio.
Estatísticas em MT
De acordo com informe epidemiológico da Secretaria de Saúde do Estado, até o dia 14 de abril foram notificados 56 casos suspeitos de gripe influenza. Dessas, ocorreram oito mortes, o que corresponde a 14% do total de casos notificados.
Do total de mortes notificadas, uma foi confirmada por influenza H1N1 não subtipado (12,5%) em Cuiabá; quatro por Síndrome Respiratória Aguda Grave não especificado (50%) e três estão sob investigação.
Sintomas e Prevenção
Lavar bem as mãos é a principal recomendação médica para evitar pegar gripe, especialmente ao chegar em casa.
“Uma coisa que parece boba, mas é fundamental, é o cuidado com as mãos. As mãos da gente são o local de mais fácil contaminação“, afirmou a médica.
Ela explica que a o vírus da gripe ou até mesmo o resfriado comum é passado, na maioria das vezes, por contato direto com pessoas.
“Pelo ar, pela tosse, espirro e até pela fala. O ideal é evitar contato com pessoas sabidamente doentes, e aglomeração de pessoas no mesmo local: cinema, shopping em horários de pico”, explica.
A recomendação da médica para quem já está gripado é que tome bastante líquido, fique de repouso e tome analgésico. No entanto, é preciso ficar alerta com o desenvolvimento da doença.
A médica explica que é preciso ficar alerta se a gripe, após 3 dias, não começar a melhorar. Caso isso aconteça, é necessário procurar auxilio médico.
“Na maioria das vezes em que se pega uma influenza, o paciente tem um desfecho bom. Quando há o óbito, é porque o vírus é de fato agressivo, e mesmo com o repouso, analgésico e tomando bastante líquido, o paciente não tem uma melhora. Por causa da agressividade do vírus, a pessoa pode desenvolver uma síndrome respiratória e começar a a ter falta de ar e o pulmão ficar ruim”.