Cuiabá tem apenas 20% dos voluntários necessários para testar vacina
A quantidade de voluntários para os testes da CoronaVac em Cuiabá está em somente 20% da meta. A intenção é que 800 pessoas participem dos estudos da vacina contra a covid-19 produzida pelo laboratório chinês Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo. Porém, até esta quarta-feira (18) eram somente 160 participantes cadastrados.
As informações foram divulgadas pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). O Hospital Universitário Júlio Müller (HUJM) é o centro de estudo parceiro do Butantan na pesquisa da vacina e continua com o recrutamento aberto para voluntários. A Coronavac está na fase 3 dos testes.
Podem participar do ensaio clínico profissionais de saúde que façam atendimento a pessoas infectadas pelo novo coronavírus e que tenham conselho de classe. Cada um receberá duas doses da Coronavac, num intervalo entre duas e três semanas entre elas.
Na capital mato-grossense, que é um dos 16 centros em sete estados que fazem parte do ensaio para testar a eficácia da vacina, a pesquisa é coordenada pelo professor Cor Jesus Fernandes Fontes, da Faculdade de Medicina da UFMT e pesquisador do Núcleo de Pesquisa Clínica do HUJM.
A primeira dose da Coronavac em Cuiabá foi aplicada no dia 6 de outubro. No Brasil, ela já foi aplicada em mais de 10 mil profissionais da saúde, sem que nenhum tivesse evento adverso grave relacionado à vacina.
A Coronavac usa uma versão inativa do vírus, obtido de cultura de célula, que foi exposto ao calor e substâncias químicas até não ser capaz de se reproduzir e representar riscos ao paciente. O vírus é introduzido no organismo humano, que desenvolve formas de combater a doença sem deixar a pessoa doente.
Conforme Fontes, o uso do vírus inteiro tem a vantagem de induzir uma resposta imunológica mais alta, diferentemente do que ocorre quando é utilizada somente uma partícula viral, estimulando resposta imune apenas contra essa partícula.
Os testes da Coronavac chegaram a ser suspensos no dia 9 de novembro pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), depois da morte de um voluntário. Porém, como o fato não teve relação com a vacina, no dia 11 os estudos foram retomados.
Eficácia
Na terça-feira, o Instituto Butantan divulgou que os resultados dos estudos clínicos da Coronavac, publicados pela revista científica Lancet Infectious Diseases, apontam que vacina é segura e tem capacidade de produzir resposta imune no organismo 28 dias após sua aplicação em 97% dos casos.
As fases 1 e 2 envolveram 744 voluntários na China, com idades entre 18 e 59 anos. As reações adversas foram leves, sendo a mais comum dor no local da aplicação. A taxa de produção de anticorpos ficou acima dos 90%.
O Butantan disse que os dados já eram de conhecimento tanto do instituto quanto da Anvisa e que foi a partir deles que foi aprovado o uso emergencial em mais de 50 mil pessoas na China e a fase 3 no Brasil.
Para que seja atestada a eficácia, é preciso que 151 pessoas que receberam a vacina sejam contaminadas pelo coronavírus. A partir disso, será feita a comparação com o total dos que receberam a dose e, eventualmente, também tenham diagnóstico positivo de covid-19.
Somente depois dessa fase a vacina deverá receber aval da Anvisa para registro e uso em campanhas de vacinação.