Selma testemunha sobre um dos grampos ilegais no governo contra Tatiana e amiga
A juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Arruda, prestou depoimento na condição de testemunha, na manhã desta quinta (5), a respeito do ofício encaminhado à Corregedoria Geral de Justiça, relatando que duas pessoas haviam sido interceptadas ilegalmente na Operação Forti. A informação foi confirmada pelo delegado Flávio Stringueta, um dos responsáveis pelas investigações sobre interceptações telefônicas ilegais no Estado.
No ofício, Selma comunicou à CGJ que Tatiana Sangalli Padilha e Caroline Mariano dos Santos teriam sido “grampeadas” indevidamente a mando da delegada Alana Darlene Souza Cardoso, da Polícia Civil.
A magistrada explicou que à época em que os dois números telefônicos foram incluídos no grampo, Alana ocupava o cargo de diretora de inteligência da Polícia Civil, diretamente ligada à secretaria estadual de Segurança Pública, cujo titular era o promotor de Justiça Mauro Zaque. A delegada foi coordenadora da operação. A juíza entende que a inclusão dos números pode ter induzido tanto o Ministério Público Estadual quanto ela mesma ao erro.
Conforme o ofício, Alana incluiu na representação os terminais (65) 9998-1122, como sendo do vulgo “Dama Lora”, e (65) 9208-6867, de vulgo “Amiguinha”.
No documento, Selma pontuou que no período em que foram interceptadas não foram registradas conversas de Tatiana e Caroline e que quanto à Operação Querubim, deflagrada um mês após a Forti, as interceptações das mulheres ocorreram de forma legal, pois os nomes delas constavam do pedido para se apurar uma suposta organização criminosa, vinculada ao ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro, que atentaria contra a vida do governador Pedro Taques (PSDB).
No entanto, no mesmo documento, Selma não descarta que o enredo tenha sido construído por investigadores “para dar legitimidade às escutas”.