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12/05/2021 | 15:35

Delator expõe reuniões de empresários para bancar "caixa 2" de ex-governador de MT

Em depoimento prestado à Polícia Federal (PF), o empresário Alan Ayoub Malouf reafirmou detalhes contidos em sua delação premiada, descrevendo como eram realizados os encontros do grupo de “amigos” formado entre maio e junho de 2014 para captar dinheiro destinado ao custeio da companha política de Pedro Taques, que naquele pleito eleitoral foi eleito governador de Mato Grosso pelo PDT. Malouf foi coordenador financeiro da campanha vitoriosa e afirmou em acordo homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que foi responsável por levantar cerca de R$ 10 milhões para pagar dívidas de caixa 2 da campanha.

Conforme o delator, além dele, o grupo era composto pelos seguintes empresários: Eraí Maggi (grupo Bom Futuro - agronegócio), Erivalton Gasques (do extinto Grupo City Lar), Fernando Minosso (Posto Zero em VG), Juliano Bortoloto (Todimo Materiais de Construção) e Marcelo Maluf (Construtora São Benedito). As reuniões do grupo, segundo Alan Malouf, eram realizadas no período noturno para debater estratégias que visavam doações de vultuosas quantias para bancar despesas de caixa 2 na campanha de Pedro Taques, hoje filiado ao Solidariedade.

A nova oitiva do delator foi realizada em fevereiro de 2020 e anexada ao inquérito conduzido pela Polícia Federal por determinação da Justiça Eleitoral para investigar repasses de R$ 2 milhões feitos pelo empresário Dalmi Defanti, dono da Gráfica Print. Esse inquérito tramita na 51ª Zona Eleitoral de Cuiabá, com diligências autorizadas pelo juiz Jorge Alexandre Martins Ferreira.

Malouf reafirmou detalhes do esquema ratificando informações já fornecidas por ele em seu acordo de colaboração premiada, firmado com a Procuradoria Geral da República no dia 20 de fevereiro de 2018. Também ratificou suas declarações realizadas num anexo da investigação, que diz respeito à Gráfica Print. Conforme o delator, em março de 2014, Pedro Taques o procurou informando o desejo de disputar o Governo de Mato Grosso e solicitou apoio financeiro e auxílio na captação de recursos junto ao setor empresarial para viabilizar a campanha eleitoral.

O delator conta que por volta de maio e junho de 2014, iniciou algumas conversas perante o setor empresarial de seu convívio. Após ter se reunindo com alguns amigos resolveram formar um grupo de amigos e simpatizantes em ajudar na campanha para captação de possíveis doadores de recursos. Segundo Malouf, entre agosto e setembro daquele ano, o grupo iniciou os contatos mais intensivos, cada qual com empresário de seu convívio e segmento visando captar parte dos recursos necessários.

Depois, ele apresentou Júlio Modesto a Pedro Taques para que fosse aprovado a participar do grupo para cuidar das contas de campanha. Com a aprovação do candidato Taques, o grupo passou a se reunir por diversas vezes na casa de Alan Malouf, “sendo que na maioria das vezes contava com a presença de Pedro Taques e, por aproximadamente duas vezes, contou com a presença de Paulo Taques, primo de Pedro Taques, que à época trabalhou na campanha como coordenador jurídico”.

REUNIÕES NOTURNAS

Após a formação do grupo, segundo Alan Malouf, os empresários se reuniram por diversas vezes em sua residência. “Que estas reuniões ocorriam aproximadamente 4 (quatro) a 5 (cinco) vezes na semana, durante o período eleitoral, normalmente no período noturno; que nestas ocasiões o grupo decidia acerca dos rumos da campanha eleitoral de Pedro Taques, bem como em relação às contas a pagar e doações”.

O delator fez questão de relatar novamente os fatos já informados em sua delação para demonstrar como "entrou" para a campanha eleitoral e como posteriormente teve que honrar compromissos da campanha de Pedro Taques “através de Caixa 2”.

Em relação aos fatos do inquérito policial instaurado por determinação da Justiça Eleitoral, Alan Malouf afirma que por volta de julho ou agosto de 2014 levou o empresário Dalmi Defanti, proprietário da Gráfica Print, até a residência de Pedro Taques, um apartamento no edifício Riviera Santa Rosa.

“Que nesta ocasião se reuniram o declarante, Dalmi Defanti e o então candidato Pedro Taques, sendo esta realizada na sacada do referido apartamento; Que o declarante esclareceu para Pedro Taques que Dalmi Defanti gostaria de ajudar financeiramente para a campanha; que o declarante solicitou a quantia de R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) para Dalmi, na presença de Pedro Taques, tendo Dalmi aceitado a proposta”, consta no depoimento.

O empresário Dalmi Defanti já foi ouvido no inquérito e confirmou detalhes das transações, explicando inclusive, que devolveu R$ 440 mil mensageiros de Pedro Taques
 
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