“Dá vontade de chorar”, lamenta moradora de VG que está sem abastecimento de água há quase duas semanas
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“Nem pra jogar no vaso, nem pra tomar banho. Dá vontade de chorar”. O desabafo é de uma internauta do Olhar Direto que preferiu não se identificar. Moradora do bairro Mapim, em Várzea Grande, ela queixou-se à reportagem, nesta terça-feira (31), que está há duas semanas sofrendo com a falta de água em casa. Outra denúncia, enviada nesta quarta-feira (1) por uma leitora em nosso perfil Instagram, relata o mesmo problema de falta d’água no Conjunto Habitacional São Benedito 2, também em VG. A moradora do Mapim contou que já solicitou caminhão pipa via Departamento de Água e Esgoto de VG, mas até o fechamento da reportagem não teve sua solicitação atendida.
“Liguei lá no DAE, pedi uma caminhão de água e ele disseram que vai demorar semanas pra chegar, porque tem gente reclamando que faz mais de três meses que pediram água e até agora não entregaram. Ave Maria, só por Deus”, lamentou.
Via Instagram, um vídeo denunciando o mesmo problema foi enviado à reportagem. Nas imagens, uma senhora moradora do Conjunto Habitacional São Benedito 2, cobra providências e atenção do município àquela região.
“Kalil, você falou aqui na porta da minha casa que essa água ia mudar, que tudo isso ia mudar. Para onde você foi? Olha o sofrimento, desde as 6h da manha com esse problema. Não é justo a gente pagar uma coisa que não tem. Quando fala, fulano não paga, é porque não tem!”, cobrou.
Procurada pela reportagem, o DAE de VG informou que o abastecimento está acontecendo em toda a cidade. Por outro lado, como o nível do rio este ano está o mais baixo para o período de estiagem desde 2016, o atendimento tem sido insatisfatório para os moradores de certas regiões do município.
Conforme assessoria, residências estão sendo abastecidas, porém, como o nível da água está baixo, a pressão é insuficiente e a água não sai pelos chuveiros, privadas ou torneiras. Além disso, há casos piores em que as casas ficam sem abastecimento, pois estão localizadas em regiões mais altas ou no final de linha. Este cenário gera aumento na demanda por caminhões pipas.
“Quanto maior a demanda, mais tempo demora para os pedidos serem entregues. Além de, é claro, não ter água suficiente. Pelo mesmo motivo que não está ocorrendo o abastecimento pela rede. Então, sim, a demanda por pipa está grande e consequentemente há uma demora na entrega dos pedidos”, explicou.
A assessoria do município de VG também foi procurada e emitiu comunicado alegando que o problema de abastecimento perdura há anos e que estão trabalhando para mudar esse cenário, inclusive, com investimentos na importância acima dos R$ 100 milhões em água e em esgoto. “Existe uma dificuldade muito grande no abastecimento de água, o que perdura há vários anos e que estamos enquanto Poder Público trabalhando para mudar este cenário com mais de 100 milhões em investimentos tanto em água como em esgoto, sendo que as obras da nova Estação de Tratamento e Abastecimento de Água - ETA Grande Cristo Rei fica pronta ainda neste ano de 2021, com capacidade para 320 litros por segundo ou 26 milhões de litros de água por dia”, pontuou.
Também comunicou que há um planejamento em execução, previsto para 2022, de outra Estação de Tratamento de Água (ETA), na região do Chapéu do Sol, com capacidade de 250 litros por segundo ou 22 milhões de litros por dia. Na mesma previsão, a ampliação da ETA Bonsucesso de 5 litros por segundo para 125 litros por segundo ou 11 milhões por dia.
“Fora isso, temos uma nova adutora em obras, novas redes de distribuição e a hidrometração para se evitar o desperdício e o desvio que chega a 60% da produção. Essas são novas obras que permitirão que o atual sistema de 800 litros que produz 70 milhões de litros por dia atenda toda a demanda necessária. Com a pandemia veio novas medidas como proibição de corte de água e energia elétrica, o que elevou a inadimplência que no caso do DAE/VG superou os 65%. E como não existe produção de água, sem energia, elevamos o custo da produção da água em mais de R$ 1,6 milhões/mês”, finalizou.