Ex diz viver “filme de terror” com advogado e pede indenização de R$ 500 mil em Cuiabá
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A ex-companheira de um advogado morador de Cuiabá, filho de um desembargador do Tribunal de Justiça (TJMT), morto em 2013, pede indenização por danos morais de R$ 500 mil relatando ter vivido um “filme de terror” em seu relacionamento amoroso. A ação judicial é assinada pelo advogado Walter da Silva Maizman.
A mulher conta sua trajetória nos autos relatando que desenvolveu depressão, ansiedade, além de “ideação suicida” – pensar sobre o próprio suicídio, seja considerando a hipótese ou mesmo traçar um plano detalhado para cometer o ato. O processo revela ao menos dois episódios em que a vida da mulher correu risco.
Num deles, em janeiro de 2020, o advogado teria ficado “nervoso” após a companheira se negar a comprar mais cerveja num dia de "bebedeira". Ela conta que o agressor faz uso abusivo de álcool e ansiolíticos.
“Ocorre que sob o abuso destas substâncias no dia 21 de janeiro de 2020 a requerente e o requerido tiveram uma discussão calorosa por volta das 16:00h deste dia, o requerido, ficou nervoso porque a cerveja havia acabado e exigiu que a requerente comprasse mais, a qual se negou, e por isso o requerido a agrediu com socos e pontapés e além disso ainda a enforcou, jogou-a no chão, puxou-a pelos cabelos dizendo que iria matá-la e ocultar o corpo”, narram os autos.
Na sequência, conforme conta a vítima, o agressor investiu contra ela com uma faca, e só não apunhalou a mulher pois ela conseguiu “quebrar” o objeto cortante, pedindo ajuda, apenas com roupas íntimas, após fugir do apartamento onde moravam. “Não satisfeito o requerido ainda tentou agredir a requerente com uma faca, mas a requerente conseguiu segurar a lâmina e quebrar o objeto se desvencilhando do requerido conseguindo fugir, descendo as escadas somente com as roupas íntimas e descalça, conseguindo pedir socorro na rua em uma barraca de cachorro quente, onde o proprietário da mesma acionou a polícia”, cita.
“VESTÍGIO DE ESPERMA”
Natural de uma cidade do interior do estado de São Paulo, a vítima segue nos autos dizendo que voltou à cidade onde residem seus familiares, e representou criminalmente o agressor – que chegou a ser preso pela polícia, mas acabou conquistando a liberdade provisória. Envolvida na relação, e apesar de dispor de uma medida protetiva contra o filho do desembargador, porém, a mulher conta que “cedeu as desculpas e promessas do requerido”, voltando novamente a Cuiabá para dar mais uma chance à relação.
Decisão que ela se arrepende de ter tomado. “Ocorre que no dia 30 de novembro de 2021, novamente sob efeito do abuso de álcool e ansiolíticos o requerido, embalado pela euforia da final da Copa Libertadores da América/2021 começou a ameaçar a requerente porque ela estava falando com uma prima ao telefone e, ficando desagradado por este motivo, mandou a mesma desligar o telefone desferindo ofensas, humilhações e a intimidando passando a dizer que ela estava com outro homem”, seguem os autos.
A vítima relata que o episódio ficou marcado pelas ofensas que sofreu do companheiro, que dizia ‘você é gorda’, ‘é a namorada mais feia que eu tive’, ‘vagabunda’, ‘nenhum homem te quer’. Ela saiu novamente do apartamento, buscando ajuda do porteiro do prédio, dizendo ao funcionário que estava com medo dele.
Ao retornar a residência, o agressor submeteu a companheira a um “exame”, em busca de “vestígios de esperma”, além de agredi-la com socos e pontapés. “O requerido a acusou de ter feito sexo oral, vaginal e anal com o porteiro e violentamente tirou a roupa da requerente e introduziu o dedo na sua vagina e no seu ânus para verificar se havia vestígios ou cheiro de esperma gritando e falando que estava conferindo pra ver se tinha cheiro de homem desferindo socos e tapas em seu rosto e pontapés em seu corpo”, detalha.
O processo conta que no mesmo dia 30 de novembro de 2021, data do segundo incidente, ela embarcou num ônibus, e retornou à cidade do interior de São Paulo onde mora sua família. O agressor possui histórico violento contra mulheres, e já agrediu outra ex-companheira no ano de 2009, que estava grávida de seu próprio filho.
Já em 2015, ele tentou “reatar a força” um relacionamento, se negando a deixar outra ex-companheira sair de seu carro, que gritou por ajuda e foi socorrida pela polícia. Ainda não há decisão judicial sobre o pedido de indenização.