Sindicato diz que edital do BRT tem ‘inconsistências’ e obra ficará mais cara que o previsto
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O Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre) e o Instituto de Engenharia de São Paulo (IE) divulgaram uma carta-manifesto, na qual apontam “inconsistências” no projeto de implantação do BRT em Cuiabá e Várzea Grande.
Os principais pontos elencados discorrem sobre problemas na instalação do modal, preço da tarifa e o prazo para a conclusão da obra, além de custo 90% maior em relação ao VLT.
Após tomar conhecimento das conclusões da entidade, o governo do Estado se posicionou, por meio de nota, publicada em site oficial. No texto, rebate os argumentos apresentados pelo sindicato e afirma que o estudo mostra o ” desconhecimento sobre o comportamento dos usuários do transporte público em Cuiabá e Várzea Grande”
Corredor aberto
Conforme um resumo do estudo, a proposta do governo não criaria um sistema de tráfego do BRT, apenas um corredor de ônibus com integração a outros sistemas.
Esse modelo traria problema para a implantação da bilhetagem e funcionamento do sistema de refrigeração dos veículos. O estudo aponta a necessidade de criação de pista exclusiva para o BRT ao longo do todo o percurso por onde está planejado o trânsito.
Mais caro e mais demorado
Essa versão sairia mais cara para os cofres públicos e levaria mais tempo para ser concluída. Os dados do governo calculam gasto de R$ 430 milhões para a implantação do modal, desde o lançamento do edital até a entrega da obra, passando pela compra de 54 veículos adaptados ao sistema BRT.
O cálculo das entidades aponta para um valor de R$ 820 milhões. Os R$ 430 milhões seriam referentes apenas à infraestrutura.
A esse valor seriam acrescentados outros R$ 390 milhões de ônibus, troca de baterias dos veículos ao longo de 30 anos, e a implantação do sistema automatizados.
Todos esses serviços ficariam prontos em 50 meses e não em 48 (dois anos) como anunciado pelo governo.
Tarifa mais alta
A estimativa de investimento maior impactaria na tarifa ao usuário. E o valor, também estimativa, passaria de R$ 3,04, previstos pelo governo, para R$ 5,70 (+87,5%). A tarifa estimada para o VLT seria de R$ 5,28.
O que diz o governo?
O governo negou as informações do estudo e afirmou que a divulgação do estudo tem o intuito de “confundir a opinião pública”. Disse que os critérios para o cálculo da tarifa são melhores que chegaram ao valor e R$ 5,28 para o VLT.
Acrescentou a estimativa de valor mais alto do que o previsto oficialmente foi formulada com a inclusão dos veículos do BRT no processo do edital, mas a compra dos vagões do VLT ficou de fora – o que encareceria mais o projeto original.
Sobre o tempo maior de serviços, o governo disse que a distância, o número de terminais e estações são semelhantes entre o VLT e o BRT. E a implantação do BRT não necessita de instalação de trilhos, da rede aérea de tração e das subestações de energia previstas para o VLT.