Muita saudade e ela segue vida normal, diz filha de verdureiro
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Neste 14 de abril, a morte do verdureiro Francisco Lúcio Maio completa 4 anos. A falta de julgamento da médica Letícia Bortolini, que o atropelou, revolta a família. “Aqui a gente vale o que tem. Se fosse o contrário, não estaria assim”, diz indignada a filha da vítima, Francy Silva Lúcio.
A comerciante revelou ao que, hoje ainda mais que os demais dias, predomina o sentimento de saudade do pai. A banca de verduras na qual trabalha atualmente só lembra o pai, assim como passar pelo local do acidente, na avenida Miguel Sutil, que é próximo a casa onde moram.
“Passar ali é muito forte, parece que vejo o corpo do meu pai abraçado àquele tronco de árvore. É muito difícil lidar com isso e mais ainda ver que a Justiça nada faz. Depois de 4 anos nada aconteceu nem no CRM, no cível e no criminal. Parece que você vale o que você tem”, declara a filha.
Desde que houve o acidente, o Conselho Regional de Medicina (CRM) abriu processo para apurar a conduta da médica, que fugiu sem prestar socorro. Ainda não houve resolução do procedimento e, na quarta-feira (13), uma testemunha foi interrogada como parte da investigação interna.
Em fevereiro deste ano, a ré foi ouvida pela primeira vez na 12ª Vara Criminal, onde o processo tramita sob a responsabilidade do juiz Flávio Miraglia. Ela disse que não viu que tinha atropelado uma pessoa e ficou em choque ao saber da morte. Ainda revelou que reza todos os dias pela alma do verdureiro e pela família dele.
“Nada acontece. Parece que estão do lado dela, porque a vida dela continua. Ela trabalha viaja. São 4 anos sem resposta. Agora a festa vai acontecer de novo”, destaca Francy.
A festa a qual a filha se refere é o Festival Braseiro, de churrasco e chopp, do qual a médica voltava com o marido, em 2018, quando houve o atropelamento.
No próximo dia 26 de abril deve ocorrer nova audiência sobre o caso. Além de responder pelo crime de homicídio, médica também é processa da esfera cível para indenizar a família pela perda sofrida.
A família pede ressarcimento das despesas fúnebres de R$ 6,6 mil, pensão mensal de um salário mínimo e indenização de danos morais no valor de R$ 225 mil.
O processo criminal está na fase de alegações finais e aguarda manifestação da defesa para, daí então, o juiz decidir se a médica irá a júri popular.
O caso
O verdureiro Francisco Lúcio Maia foi atropelado pela médica no dia 14 de abril de 2018, na avenida Miguel Sutil, em Cuiabá.
Imagens de câmeras de segurança da avenida mostram o momento em que o homem é arremessado contra uma árvore.
A investigação aponta que a médica estava em alta velocidade e dirigia sob efeito de álcool.
O laudo mais recente, divulgado em março desse ano, concluiu que ela dirigia a 101 km/h quando atingiu o verdureiro. O homem morreu no local.
Horas depois, já no dia 15 de abril, a polícia encontrou a médica e o marido na casa de familiares. Ela se negou a fazer o teste do bafômetro e garantiu que não tinha bebido nada.
Ambos foram levados para a delegacia, onde prestaram esclarecimentos e liberados em seguida.
Ela afirmou que autorizou a advogada a dar todo suporte à família da vítima, mas os familiares do verdureiro alegam que não receberam qualquer assistência.