Prado eleva tom com ex-aliado e expõe "pré-campanha" no MPE
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O acirramento da disputa pelo comando do Ministério Público Estadual (MPE) ficou exposto na reunião o Colégio de Procuradores de Justiça, na última quinta-feira (5). Ex-chefe do MPE, o procurador Paulo Prado usou palavras duras com um dos seus antigos aliados, o procurador de Justiça Marcelo Ferra.
Durante sua fala, Prado afirmou que o "tom professoral" de Ferra estava cansando. "Eu fui quatro vezes isso [chefe do MPE]. Mas eu sou burro e não aprendi", disse Prado visivelmente irritado.
Na ocasião, os procuradores debatiam a criação da Sub-Procuradoria Geral de Justiça de Planejamento e Gestão, que deverá funcionar como uma “tesouraria” do órgão.
“[...] Cuja atuação será voltada preponderantemente à gestão estratégica do MPE, atividade hoje desempenhada de forma pulverizada pela Procuradoria-Geral de Justiça”, explicou o chefe do órgão, José Antônio Borges, que propôs o projeto.
Prado se posicionou contrário à criação da nova estrutura, com a justificativa de que as promotorias especializadas podem perder a autonomia financeira.
“Existem pessoas que aceitam o bom diálogo [...]. E pode entrar alguém que pode achar que certa especializada deliberou e queira mudar ou impor”, disse Prado aos colegas.
O debate continuou e o procurador Marcelo Ferra rebateu o argumento de Prado, apontando que o sub-procurador se reporta ao procurador-geral, é um “longa manus” (executor de ordens) dele, conforme o regimento interno.
"O colégio não cria atribuição pro ‘sub’. A lei dá atribuição do procurador-geral, diz que é ele quem delega ao ‘sub’. Não há como se falar em 'correlação' entre essa criação e a especializada. Até porque há uma resolução sobre isso, que tem instância de governança", afirmou Ferra.
Prado não gostou da fala do colega e voltou a defender: “Mas não houve uma reunião sobre isso”. E justificou que Ferra está criticando-o, demonstrando um claro descontentamento com a posição do colega.
"O Marcelo fez uma crítica aberta ao que eu falei aqui, com o refinamento que ele sempre tem, mas ninguém é idiota aqui, e percebeu o que ele quis dizer. Tudo bem, se aprova e está acabada a história. Vamos pro Tribunal [de Justiça] que eu tenho sessão hoje", disse com tom elevado.
Longe dos microfones, Prado disse: "Essa coisa professoral, de dar aula? Está cansando". O procurador-geral José Antônio Borges tentou retomar a discussão sobre a proposta, mas foi interrompido por Prado.
"Doutor Marcelo Ferra, com todo refinamento que tem, eu fui quatro vezes isso [chefe do MPE]. Mas eu sou burro e não aprendi".
Em seguida, irritado ele sai da sessão. "Me desculpe, tenho tribunal e preciso sair", disse Prado.
A proposta seguirá para análise nesta semana, após pedido de vista.
O grupo de Paulo Prado ficou no comando do MPE cerca de 20 anos - oito deles com o próprio procurador. Até que em 2020 José Antônio Borges se elegeu. Já Marcelo Ferra, que integrava o grupo de Prado, comandou o MPE nos biênios 2009-2010 e 2015-2016.
Bastidores
O atrito já reverberou nos corredores do Ministério Público e expôs um descontentamento de Prado com Marcelo Ferra. É que este era seu aliado mas se aproximou de Borges nesta gestão.
Ocorre que Borges e Prado se antagonizam no MPE. Conforme uma fonte ouvida pela Reportagem, Prado tenta achar um nome viável para disputar o comando do MPE.
O pleito já tem como principais nomes o chefe do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), procurador de Justiça Roberto Turin, e o atual subprocurador-geral de Justiça Deosdete Cruz Júnior. Ambos compõem o grupo de apoio a atual gestão.
“O Paulo tem andado com lanterna e lupa pelos corredores atrás de outro nome para se opor”, disse um fonte a reportagem.
A eleição está prevista para ocorrer em dezembro deste ano e a posse, em fevereiro de 2023.