Emanuel diz que decreto da saúde tem apoio do governador Taques
O prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (PMDB) afirmou que o governador Pedro Taques (PSDB) apoia o decreto que estabelece regras para as medidas emergências para assegurar o funcionamento do Pronto-Socorro da Capital.
Entre as medidas, está o retorno de pacientes que não estejam em situação de risco para seus locais de origem.
“Estive com o governador. A nossa conversa foi baseada nos seguintes termos: o problema da Saúde não é só do prefeito de Cuiabá; é, sim, da Prefeitura, mas também do Governo do Estado, da Assembleia, câmaras municipais... Independentemente de cor político-partidária”, disse Emanuel
Ele [Taques] aceitou de pronto. Entendeu que não adianta o prefeito ficar atacando em uma trincheira, o governador em outra.
“Ele [Taques] aceitou de pronto. Entendeu que não adianta o prefeito ficar atacando em uma trincheira, o governador em outra, atirando um no outro. Combinamos de trabalhar juntos. Inclusive, teremos uma próxima agenda para promover uma ação determinante, decisiva para melhorar a saúde de Cuiabá e do interior. É um caminho sem volta e outras medidas serão tomadas ao longo desse processo”, afirmou.
No decreto, Emanuel criou o Comitê Emergencial de Gerenciamento da Superlotação do Pronto-Socorro Municipal para gerir as ações de Saúde de Cuiabá, enquanto perdurar a inadimplência do Estado de Mato Grosso com o Município.
O decreto determina que o Pronto-Socorro fará apenas atendimentos de urgência e emergência na unidade. Assim como serão realizadas apenas cirurgias eletivas.
A Central de Regulação do Sistema Único de Saúde (SUS) será responsável por encontrar as vagas para os pacientes que serão transferidos de volta para suas cidades.
“O Pronto-Socorro tem que voltar a sua característica, que é de urgência e emergência. Por isso, determinei no meu decreto, entre outras medidas, como mudança na central de regulação, como aporte financeiro emergencial de R$ 10 milhões para resolver o problema de medicamentos, uma triagem. Aqueles casos que não forem urgência, depois de serem atendidos, feito exames clínicos, serem encaminhados para uma UPA ou para a pessoa voltar para seu município de origem”, explicou.
“Não é se recusar a atender, em hipótese alguma. O mote da minha gestão é de humanização. Em hipótese alguma deixaremos de atender. Vamos fazer a triagem e se a pessoa estiver em estado de saúde estável, não tendo problema grave e correndo risco de morte, ela volta para o município já com a cirurgia pré-agendada”, afirmou.
Acima da capacidade
Segundo Emanuel Pinheiro, a ação foi necessária, pois o Pronto-Socorro estava atendendo acima de sua capacidade.
Segundo ele, 65% dos atendimentos realizados na unidade envolvem pacientes de cidades do interior. A média de atendimento é de 1.200 mensais.
Atualmente, estão nos corredores da unidade 144 pacientes. Ao todo, o Hospital atende no momento 346 pessoas, sendo que possui 271 leitos.
De acordo com prefeito, o Governo do Estado tem um passivo de R$ 52 milhões com o Munícipio. Além disso, o prefeito aponta um crescimento de 30% a 50% na demanda desde a crise na saúde estadual, com fechamento de alguns serviços nas unidades no interior.
“Aí acontece aquela cena de guerra, com pessoas em macas no corredor do Pronto-Socorro. O orçamento do hospital é de R$ 750 milhões ao ano. Não é dinheiro suficiente para resolver todos os problemas da Saúde Pública, mas é suficiente para a Saúde de Cuiabá funcionar muito melhor do que ela está funcionando. É esse desafio que estou me propondo. Não vou cruzar os braços, não vou ser omisso, não vou achar que é normal”, completou.