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16/05/2023 | 10:31

Prefeito e vice de MT são alvos de operação por extração e desmatamento ilegal

Madeireiras de propriedades do prefeito e vice-prefeito de Feliz Natal (538 km de Cuiabá), José Antônio Dubiella (MDB) e Antônio Alves da Costa (PDT), respectivamente, foram alvos de mandado de busca e apreensão da Polícia Civil nesta terça-feira (16), em um dos desdobramentos da 'Operação Ronuro'.

No total, foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão contra um grupo criminoso que agia na extração e desmatamento ilegal de madeira em Mato Grosso. A polícia ainda registrou três flagrantes por posse de arma e munições sem registros na madeireira em que o vice-prefeito administra. A Polícia Civil não informou se houve cumprimento de mandado de busca e apreensão na casa do prefeito e vice-prefeito de Feliz Natal.

As ordens de buscas e apreensões têm como alvos endereços de pessoas físicas e jurídicas, em Cláudia, Feliz Natal, Nova Ubiratã e Sorriso. Além dos mandados de busca e apreensão, os locais ondem funcionam as madeireiras serão bloqueados e terão as atividades suspensas, até o término das investigações.
 

O cumprimento das ordens judiciais contam com apoio da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), e Instituto de Defesa Agropecuária (Indea), além das equipes policiais das Diretorias do Interior e de Atividades Especiais.  

As investigações iniciaram no segundo semestre de 2019, após denúncias de que pessoas envolvidas no comércio de madeira na região estavam praticando ilícitos ambientais e fazendo a extração ilegal na Estação Ecológica Rio Ronuro.  Após a pandemia da Covid, no mês de fevereiro de 2022 as diligências foram intensificadas pela Dema para identificar os agentes responsáveis pelo dano ambiental, com a extração e desmatamento ilegal da vegetação nativa preservada na estação ecológica situada em Nova Ubiratã.

Conforme a apuração, a associação criminosa cometia o desmatamento visando lucro financeiro a qualquer custo, com a destruição da vegetação e sem se preocupar com os danos ambientais, a fauna e tampouco a sociedade local e mato-grossense. 


Os indícios apontam que integram esse grupo investigado, agentes políticos, madeireiros, empresas transportadoras, pessoas físicas e jurídicas, que vinham se beneficiando com a extração, desmatamento e o comércio das madeiras retiradas ilegalmente da Estação do Rio Ronuro.

“A área conta com uma biodiversidade de extrema importância para o meio ambiente e este tipo de ação humana, quando excede os limites da lei, prejudica o espaço natural e as espécies que ali vivem, além da sociedade como um todo”, destacou a delegada titular da Dema, Liliane Murata, acrescentando que a operação visa à responsabilização criminal dos investigados pela prática de ilícitos ambientais que prejudicaram a estação ecológica.

Esquema criminoso 

A investigação da Polícia Civil apurou que os proprietários das madeireiras são agentes políticos e empresários locais, que utilizam terceiros como "laranjas" para mascarar o comércio irregular da matéria-prima, burlar a administração pública ambiental e fiscal, praticando o crime ambiental e a sonegação de impostos, além do prejuízo ao meio ambiente e social.

Operação Ronuro

O nome faz referência à área Estação Ecológica (Esec) Rio Ronuro, localizada no município de Nova Ubiratã, criada pelo Decreto n. 2.207 de 23 de abril de 1998. A estação abrange uma área aproximada de 131.795 hectares, cujo objetivo é proteger o ambiente natural e os ecossistemas existentes. É uma unidade de conservação estadual.
 
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