MP alerta que proposta de parcelar dívidas pode se caracterizar como crime contra finanças públicas
Em reunião com o presidente da Câmara de Cuiabá, Chico 2000 (PL), promotores de Justiça que atuam no Núcleo de Defesa do Patrimônio Público alertaram que a proposta do Executivo municipal que trata do parcelamento das dívidas oriundas das contribuições sociais da Prefeitura de Cuiabá perante à União, no montante de R$ 165 milhões, não atende aos requisitos estabelecidos na legislação.
Conforme o MP, a operação requerida pelo Poder Executivo equipara-se à operação de crédito e, portanto, está sujeita ao cumprimento das exigências dos artigos 15 e 16 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LC 101/2000). A medida estabelece que o aumento de despesas deve ser acompanhado de estimativa do impacto orçamentário e financeiro no exercício em que deva entrar em vigor e nos dois subsequentes.
Além disso, os promotores de Justiça explicaram que é necessária a declaração do ordenador de que o aumento tem adequação orçamentária e financeira com a lei orçamentária anual e compatibilidade com o plano plurianual e com a lei de diretrizes orçamentárias.
Os promotores de Justiça também chamaram a atenção para a necessidade de constar na proposta de parcelamento a indicação do valor principal da dívida, acrescido dos encargos decorrentes do não pagamento, como juros, multa e correção monetária, bem como a definição da origem da dívida, a natureza do tributo e o período que não foi realizado o repasse à União.
Segundo o MP, a autorização genérica, conforme está sendo postulada pelo Poder Executivo, além de ferir o Princípio da Transparência, pode causar prejuízos consideráveis ao Município, a exemplo do pagamento de valores prescritos.
A proposta do Executivo vem sendo discutida na Câmara Municipal e foi tida como ‘calote’ por vereadores de oposição, em específico por representar o confisco de tributos de servidores efetivos da prefeitura.
Participaram da reunião realizada nesta quinta-feira (17), os promotores de Justiça Marcos Regenold Fernandes, Gustavo Dantas Ferraz e Clovis de Almeida Junior; o presidente da Câmara Municipal, Chico 2000, o secretário de Fazenda do município, Antônio Roberto Possas de Carvalho, e o secretário de Planejamento, Eder Galiciani.
Ao final da reunião, os promotores de Justiça entregaram ao presidente da Câmara Municipal Notificação Recomendatória reforçando os requisitos que deverão ser observados.