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14/09/2023 | 16:10

​Funcionário que não entrava em esquema da Ambev era ameaçado

O delegado Luiz Felipe Leoni revelou durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (14), que funcionários da fábrica da Ambev em Cuiabá que não aceitavam participar do esquema de desvios de cerveja eram ameaçados de morte.
 
O esquema, descoberto pela Operação Ceres, deflagrada na quarta-feira (13) pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos, concluiu que a gigante das cervejarias sofreu um prejuízo de R$ 12,8 milhões.

“Eles [os funcionários] eram coagidos por essa associação criminosa. Então, aqueles que não tivessem interesse na participação eram alijados do processo e muitas vezes eram ameaçados de morte. Eram ameaçados e acabavam tendo que pedir demissão e ir embora da cervejaria [...] Esse esquema se dava com participação dos motoristas, dos próprios entregadores das cervejas e dos manobristas dos caminhões. Então envolvia uma gama de funcionários dessa cervejaria” disse o delegado.

Segundo Leoni, até o momento a investigação já apontou cerca de 20 pessoas envolvidas no esquema, que teve início em 2021. 

 

Na quarta-feira (13), o líder da associação, um empresário dono de distribuidora de bebidas, foi preso e teve suas contas bloqueadas. No estabelecimento, a Polícia Civil apreendeu cerca de R$ 1,3 milhão em espécie, escondidos em uma caixa térmica.

 

Conforme o delegado, havia um depósito dentro da distribuidora onde o empresário armazenava todos os produtos oriundos dos desvios da fábrica da Ambev. 

 

“Me chamou a atenção a maneira como era lacrado, como quase que um bunker. Foi muito difícil a gente conseguir ingressar ali pra poder ter acesso na parte interna do depósito”, contou.


“Ali dentro, certamente, aconteciam outras práticas criminosas que a gente ainda está investigando. Foram encontrados cigarros que a gente já mandou para perícia”.

 

A operação

 

Na quarta-feira (13), a Polícia Civil cumpriu 48 ordens judiciais, entre busca e apreensão, arresto de bens móveis, quebras de sigilos bancário e fiscal e ordem de penhora no valor de R$ 12,7 milhões.

 

Até o momento, a investigação revelou que houve desvios das cervejas de marcas Budweiser, Skol, Antártica, Brahma e Stella Artois, que eram produzidas pela Ambev em Cuiabá.

 

O grupo envolvido desviava as cargas que eram devolvidas por clientes da cervejaria. Para isso, era falsificada uma declaração pelo conferencista e o porteiro da cervejaria confirmando que houve a entrada dos lotes de cervejas na fábrica. 

 

Em seguida, as cargas das bebidas eram desviadas aos receptadores. Um deles é uma distribuidora localizada na Avenida Arquimedes Pereira Lima, no Jardim Renascer, de propriedade do empresário que foi detido na operação.
 
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