
09/01/2018 | 10:51
Depois de registrar infiltração por conta da chuva registrada entre o sábado e o domingo, o primeiro dia útil de funcionamento da Estação Alencastro, na Avenida Getúlio Vargas, no Centro Histórico de Cuiabá, foi marcado por um intenso trabalho por parte dos agentes de transito e fiscais do transporte coletivo que ordenavam e procuravam evitar que os usuários usassem a mesma faixa de rolamento ou passagem dos ônibus, correndo com isso risco de sofrer um acidente.
Primeiro ponto de ônibus climatizado da capital, o terminal da Alencastro foi inaugurado no fim da tarde da última sexta-feira pelo prefeito Emanuel Pinheiro. Hoje , a todo momento, os agentes precisavam avisar as pessoas de que o acesso ao interior da estação era pelos fundos e não pela entrada principal, que dá de frente com a avenida. Um deles chegou a alertar sobre o risco de acidentes caso os usuários e demais transeuntes insistam em usar a faixa por onde passam os coletivos.
Procurada pela reportagem do Diário, a assessoria de imprensa da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) confirmou que de fato houve infiltração, mas que ainda ontem a estrutura passaria por reparos para sanar o problema. O investimento da obra foi de R$ 1,2 milhão.
Quando uma maior segurança no trânsito, informou que a área será devidamente sinalizada e instalado um guarda-corpo para fazer com o passageiro entre pelo lado certo ou correto da estação. Nas redes sociais, como o Facebook, houve críticas quanto ao fato da estrutura prejudicar a visibilidade da Catedral Metropolitana por parte de quem visita a Praça Alencastro, por exemplo.
Conforme informações divulgadas pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura, ainda na manhã do domingo, o prefeito Emanuel Pinheiro acompanhado do chefe da Casa Civil, Max Russi, esteve no terminal para inspecionar os detalhes de funcionamento e para ouvir a opinião das pessoas. “Esse é o primeiro passo para a transformação do nosso transporte coletivo, garantindo conforto, comodidade, dignidade e respeito aos milhares de usuários, que em sua grande maioria são mais carentes. Antes aqui tínhamos abrigos que não protegiam nem do sol e nem da chuva, justamente nesse ponto onde se reuni o maior fluxo de pessoas, cerca de 45 mil pessoas diariamente, então era preciso a construção deste novo modelo”, afirmou o prefeito.
Durante a visitação, o próprio prefeito identificou algumas melhorias que devem ser reconsideradas para o perfeito funcionamento da estação. “As minhas vistorias in loco deveram ser frequentes, justamente porque essa é o nosso modelo. Hoje, já verificamos alguns ajustes pontuais a serem feitos e o objetivo é deixar a Estação Alencastro o mais completa possível, eficiente, segura, e ágil para a população”, disse.
As melhorais não foram informadas. Contudo, a administração garante que a obra traz um padrão que começa a ser implantada pela atual gestão e marca a revolução no sistema de transporte da capital. No geral, os usuários também aprovaram o projeto, mas também apontaram a necessidade de aperfeiçoamentos. “Se você observar entre a saída da estação e a entrada do ônibus não há cobertura, um toldo. Então, até todo entrar no ônibus já molhou tudo”, observou o vendedor Paulo Santana, de 55 anos.
Já a correspondente bancária, Marília Magalhães, 27 anos, considera necessário aumentar o número de roletas para embarque (2) e desembarque (apenas uma) dos passageiros. “Ficou bom. Mas, acho pequeno o espaço para tantas pessoas. São apenas três catracas para o tanto de gente que pega ônibus aqui. Isso complica na hora do pico”, comentou. Os usuários não entram mais pela porta dianteira do ônibus.
Agora, eles passam o cartão em um dos validadores, que liberam as catracas, adentram o terminal e, embarcam pela porta traseira do coletivo. Já a porta do meio é usada para descer do veículo. No interior, há painéis que avisam o horário da chegada dos ônibus, além de bebedouro d’água.
Além da estação, a expectativa é de que os 2.400 pontos de ônibus da capital passem por processo de revitalização, seguindo o modelo implantado no abrigo da Rua Joaquim Murtinho, localizado atrás da Catedral Metropolitana. A expansão, de acordo com a equipe de Transporte da Semob, inicia ainda este ano com previsão para até o mês de abril. A frota, que hoje é formada por 369 veículos, atendendo mais de 70 linhas, deverá ser 100% adaptada com ar-condicionado.
Toda climatizada, a Estação Alencastro é apontada pela Prefeitura de Cuiabá como modelo de avanço, transformação socioambiental e de sustentabilidade. O projeto faz parte do conjunto das políticas públicas que visam as melhorias no transporte público, recuperação e revitalização da região histórica de Cuiabá e seus entornos. Pelo menos mais oito terminais no mesmo molde devem ser construídas na capital.
A estação é movida por um temporizador de 150 placas de energia solar, conta com 76 assentos e tem capacidade para abrigar aproximadamente 800 pessoas em simultaneamente, com wi-fi liberado para os usuários. Na sexta-feira, durante a solenidade de inauguração do terminal, o perito e gestor ambiental, pós-graduado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e com formação técnica em energia renovável eólica, pela Unicamp, Emerson Santana de Almeida, classificou a estrutura como a representação do bem-estar, praticidade e conforto aos cuiabanos e todos aqueles que visitarem a cidade. “Este projeto se torna referência em nível nacional pelo sucesso do planejamento dentro de metas ambientais e sociais, dando a Prefeitura de Cuiabá o título de primeira entidade de Mato Grosso a adotar efetivamente as energias limpas e a minimizar consideravelmente os gastos do erário público e contribuir com o meio ambiente, com a não emissão, por exemplo, do CO2 e gases de estufa para atmosfera”, frisou.
Segundo ele, o sistema de energia solar ainda é recente no Brasil e a capital mato-grossense se mostra visionária acompanhando o progresso de maneira ágil. Conforme a prefeitura, as placas de energia solar também estão conectadas à fonte luminosa da Praça Alencastro, recentemente reformada, jogando energia para seu funcionamento e gerando mais economia ao município.
A obra foi orçada em R$ 637 mil (parte física) e R$ 587 mil na instalação dos 150 equipamentos fotovoltaico (placas solares), ar-condicionado e portas de automação. O custo total do terminal ficou em R$ 1,224 milhão, recurso oriundos do Fundo Municipal de Trânsito.