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14/06/2024 | 08:19

​Vereador afirma que transferências eram para promoção de eventos sociais

O vereador Marcus Brito Junior (PV), citado na Operação Ragnatela, salientou que seu o seu nome foi mencionado no inquérito devido ao seu ex-assessor, Elzyo Jardel Xavier Pires, que saiu de seu gabinete há quase dois anos para trabalhar com o vereador Paulo Henrique (MDB), suspeito de participar do esquema. 

Marcus Brito esclareceu que seu nome é apenas citado no inquérito, que não foi alvo da operação.

“Eu fui citado. Eu não sou alvo da operação. Que fique bem claro para todos. Eu sou citado. Não sou alvo. Eu não tive meu sigilo bancário quebrado, eu não tive sigilo telefônico quebrado e não fui alvo de busca prevenção na minha casa”, salientou o vereador nesta quinta-feira (13). 

A Polícia Federal (PF) identificou 11 movimentações financeiras entre o parlamentar e Elzyo Jardel no valor de R$ 17.550 mil.

O vereador justificou as transferências se deve ao fato de que trabalha com causas sociais e determina que seus assessores façam compras de itens para as ações que promove, pois, não há tempo para que ele mesmo possa realizar as tarefas. 

“É bom se alentar que o vereador Marcus Brito tem um trabalho atuante e como vocês podem acompanhar nas minhas redes sociais, eu faço dia das mães, Páscoa, Natal, dia das crianças, eu tenho futebol amador, eu tenho a Copa Bengalão, e tudo isso demanda valores, eu pago do meu bolso, eu não espero o poder público fazer para poder acontecer. Ele [Elzyo] era um assessor externo, ele era responsável para tenda, banheiro químico, som, palco, se fosse café da manhã comprar o material, porque você não quer que o vereador vá fazer tudo isso com tanta demanda que eu tenho”, explicou Marcus Brito. 

Segundo o vereador, Elzyo Jardel saiu de seu gabinete porque queria participar de outro projeto e foi trabalhar com o vereador Paulo Henrique (MDB), investigado na Operação Ragnatela. 

Marcus Brito se colocou à disposição da Comissão de Ética e dos colegas para prestar esclarecimentos caso achem necessário.

“Me coloquei à disposição da Mesa, dos meus colegas. Marcus Brito não tem nada a ver com isso. Não tenho ligação com facção criminosa. Vereador não escolhe classe social para trabalhar, circulo com mais de mil pessoas, não tem escrito na testa de que lado eles são”, finalizou.

A operação

A investigação identificou que criminosos ligados ao CV teriam adquirido algumas casas noturnas em Cuiabá com o lucro auferido por meio de atividades ilícitas. A partir de então, o grupo passou a realizar shows de MCs nacionalmente conhecidos, custeado pela facção criminosa em conjunto com um grupo de promotores de eventos.

Foi identificado também que os integrantes da facção repassaram ordens para que não fosse contratado artista de São Paulo, tendo em vista que o estado é berço do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa rival do Comando Vermelho.

Por conta dessa ordem, o artista conhecido como MC Daniel foi hostilizado durante a realização de um show em Cuiabá, em dezembro de 2023, e teve que sair escoltado do local. O integrante da facção que promoveu o show foi punido pelo grupo com a pena de ficar sem realizar shows e frequentar casas noturnas em Cuiabá, pelo período de dois anos.

Durante as investigações também foi identificado que os criminosos contavam com o apoio de agentes públicos responsáveis pela fiscalização e concessão de licenças para a realização dos shows, sem a documentação necessária, como é o caso do vereador Paulo Henrique.


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