Listas que associam comerciantes a supostas posições políticas e incentivam boicote viram caso de polícia no Oeste Paulista
A Polícia Civil registrou um boletim de ocorrência por tentativa de difamação relacionado a publicações que incentivam o boicote a estabelecimentos comerciais em Presidente Prudente (SP). O registro foi feito pela Delegacia Eletrônica na quarta-feira (28).
De acordo com o registro, uma vítima soube da publicação divulgada em redes sociais e aplicativos de mensagens que associava seu estabelecimento a determinada orientação político-partidária, embora, segundo a noticiante, essa posição nunca tenha sido manifestada publicamente em nome da empresa.
A publicação também incentivaria a população a não consumir produtos, contratar serviços ou indicar o estabelecimento. Conforme o registro, a noticiante considera que a divulgação poderia causar prejuízos à reputação e à atividade comercial da empresa.
A Polícia Civil ainda informou que, devido à recente abertura do registro, não há outras informações a serem divulgadas.
Em nota divulgada pelo partido, Helber foi recebido por um promotor de Justiça, que o orientou sobre a preservação das provas e os caminhos para encaminhar os relatos.
O PT afirmou que cabe às autoridades analisar cada caso, considerando seu contexto e eventuais responsabilidades. Também destacou que ameaças ou demissões motivadas pela escolha política de trabalhadores podem configurar discriminação e assédio eleitoral.
A nota ressalta, ainda, a necessidade de analisar publicações que incentivam boicotes sem expor pessoas ou antecipar conclusões.
O partido reafirmou o compromisso com o voto livre, a democracia e o respeito às escolhas individuais. Também orientou pessoas que estejam sofrendo pressão ou retaliação no trabalho por posicionamento político a guardar registros e procurar o sindicato ou o Ministério Público do Trabalho (MPT).
Ainda no Oeste Paulista, a Associação Comercial de Teodoro Sampaio (SP) informou que tomou conhecimento da circulação de listas que relacionam empresários e estabelecimentos comerciais a supostas preferências político-partidrias, acompanhadas de pedidos de boicote.
A associação também não confirmou a autoria, a origem ou a veracidade dessas listas, e não apoia acusações contra pessoas ou empresas. Por fim, reforçou que o voto é direto e secreto.
Denúncias
O Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu 80 denúncias de assédio eleitoral em todo o interior de São Paulo após o segundo turno das eleições. Os registros foram feitos entre domingo (25) e as 9h30 desta quarta-feira, conforme levantamento divulgado pelo órgão.
As regiões de Bauru (SP), São José do Rio Preto (SP), Araçatuba (SP), Presidente Prudente e Sorocaba (SP) somaram 45 denúncias no período.
As 80 queixas representam 37% das 216 denúncias de assédio eleitoral registradas pelo MPT em todo o interior paulista ao longo de 2026. Até o fim do primeiro turno, haviam sido contabilizados 136 casos.
Entre as práticas denunciadas estão publicações em redes sociais que incentivam empresários a demitir funcionários por votarem em determinado candidato.
Segundo o MPT, ameaças de demissão, dispensas efetivadas, recusa de novas contratações e outras formas de retaliação motivadas por posicionamento político são situações investigadas pela instituição.
O órgão orienta que vítimas e testemunhas reúnam provas para colaborar com as apurações. Entre os materiais que podem ser apresentados estão capturas de tela de conversas e publicações em redes sociais, áudios, gravações e contatos de possíveis testemunhas.
Ao longo de 2026, o MPT contabilizou 216 denúncias de assédio eleitoral no interior de São Paulo. Desse total, 33 foram registradas na região de São José do Rio Preto, 22 na região de Bauru, 18 na região de Sorocaba, 13 na região de Presidente Prudente e três na região de Araçatuba.
No recorte posterior ao segundo turno, foram 80 denúncias em todo o interior paulista. A região de São José do Rio Preto registrou 20 casos; Sorocaba, oito; Bauru e Presidente Prudente, sete cada; e Araçatuba, três.