A eliminação do Atlético de Madrid para o RB Leipzig nas quartas de final da Liga dos Campeões da Uefa, nesta quinta-feira, levou os dois principais jornais esportivos da capital espanhola a levantar uma questão sobre o futuro do time: depois de nove temporadas, chegou a hora de substituir o técnico Diego Simeone?
O treinador argentino, de 50 anos, é um dos mais vitoriosos da história do clube, com um Campeonato Espanhol, uma Copa do Rei, uma Supercopa da Espanha, duas Ligas Europa e duas Supercopas da Uefa. Resistiu até mesmo às duas derrotas em finais de Champions League (2014 e 2016), ambas para o rival Real Madrid, mas a eliminação para RB Leipzig, e principalmente a maneira como enfrentou um time de pouquíssima tradição internacional, não caíram bem na imprensa de Madri.
No "Marca", Álvaro Roca disse que "não há ninguém na história do Atlético que tenha feito mais pelo clube que Simeone", mas concluiu que o ciclo do treinador terminou:
– É a lei da vida, tudo tem um final. Acabou-se o Barça de Cruyff, acabou-se o Milan de Sacchi, acabou-se United de Ferguson, acabou-se o Real Madrid de Del Bosque... e agora parece que se acaba o Atlético do Cholo – escreveu o jornalista, completando com ainda mais ênfase:
"O rumo deve mudar. Creio que é o momento de provar outra coisa, girar o timão e mudar o capitão do barco. E glória eterna para Simeone".
No "As", Jesus Colino destacou que o Atlético pecou por não assumir o papel de equipe grande contra o RB Leipzig, atuando como se estivesse diante de gigantes europeus que enfrentou em outras campanhas de Champions no passado, quando o time colchonero usava o protagonismo dos rivais a seu favor.
– O favoritismo não cai nada bem ao time de Simeone. Era uma das incógnitas, se o time aceitaria por fim o papel de lobo, de grande, de candidato... Não assumiu esse papel nem se saiu bem no seu habitual – escreveu.
A ausência de João Félix no time titular também foi motivo de críticas. O português de 20 anos, que não fez uma boa temporada, foi lançado no segundo tempo, apenas depois que o RB Leipzig abriu o placar, e se tornou o principal nome do Atlético em campo, fazendo as melhores jogadas do time, sofrendo e convertendo o pênalti que empatou o jogo. Mas não foi suficiente para evitar a derrota por 2 a 1.
– O time que (Simeone) escalou de saída não se entende. O Atlético foi muito fraco até que ele (João Félix) entrou. Até então, era um grupo confuso, em que só sobressaíam Renan Lodi e Carrasco pelo lado esquerdo. Do resto, nada. Um time sem funcionamento nem vontade – arrematou Alfredo Relaño, também no "As".
Fonte - GE