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O secretário estadual de Educação Alan Porto reconhece que o ensino em Mato Grosso tem muito a melhorar. E que o mau desempenho dos alunos detectado pelo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) é fruto de uma política pedagógica inadequada implantada nas últimas décadas.
Ele, no entanto, afirmou que o Governo do Estado tem trabalhado para reverter esse quadro.
“A gente preparou a sala de aula para o nosso aluno do século 21”, disse, em entrevista concedida na última quarta-feira (29). “Em cinco anos, vamos estar entre entre os dez melhores em educação do País. Em 10 anos, nós vamos entre os cinco melhores. Essa é a meta do nosso planejamento”.
O secretário também falou sobre o atraso no ensino provocado pelo fechamento das escolas durante a pandemia, piorando um quadro que já era preocupante.
“Nós temos uma defasagem de três a quatro anos em cada ciclo de formação”, afirmou. Segundo ele, a Pasta tem atuado para melhorar esse quadro, mas alerta que os resultados só virão a médio e a longo prazo.
A respeito da nova onda da Covid, Porto disse que não haverá interrupção nas aulas presenciais. “Está totalmente descartado fechar as escolas novamente. Os dados e os indicadores mostraram para o Mundo inteiro que fechar escolas não foi a decisão mais adequada”.
Midia News - Como tem sido a retomada da educação em Mato Grosso no pós-Covid?
Alan Porto – A Educação do País como um todo passou por uma dificuldade muito grande. A pandemia distanciou e quebrou esse vínculo do estudante com o professor, com a escola. Mas, Mato Grosso fez muitas coisas nesse período para que o ensino chegasse ao aluno. Por mais que ele [aluno] não tinha a presença do professor, o Estado investiu muito em tecnologia e material didático. Disponibilizamos notebooks aos professores e uma ajuda de custo para internet. Investimentos em plataformas educacionais em parceria com o Google.
Nesse momento de pós-pandemia, o Governo vem investindo muito e para isso nós temos uma política de Estado que é a Educação 10 anos, que são mais de 20 políticas públicas com mais de 120 ações, investimentos na infraestrutura, na tecnologia, principalmente na parte pedagógica.
Mas o mais importante neste momento é a gente trabalhar a educação socioemocional do alunos. A gente sabe que a pandemia prejudicou não só os índices de aprendizagem, mas esse vínculo entre professor, aluno e escola. Estamos trabalhando algumas questões como empatia, responsabilidade, respeito. Vamos criar esse vínculo novamente entre professor e estudante.
MidiaNews - Mato Grosso deve passar por um ciclo de industrialização. Não acha que a Secretaria de Educação deveria ter uma atenção especial para o aprendizado profissionalizante?
Alan Porto – A gente já começou a fazer isso. O novo Ensino Médio, aumentamos a carga horária do aluno de 800 horas por ano para 1000 horas. Dessas 1000 horas, 600 horas são para a área de conhecimento das disciplinas básicas e outras 400 horas para cursos profissionalizantes, que chamamos do quinto itinerário. Com isso, estamos dando oportunidade para os jovens do ensino médio de escolher a carreira que ele quer seguir, se é na área da saúde, da tecnologia, e seguir aquilo ali por três anos.
Mato Grosso tem muitas oportunidades. É o segundo Estado com menor taxa de desemprego. Falta mão de obra e o caminho para que isso não ocorra é a Educação.
MidiaNews- Em quanto tempo os estudantes conseguirão recuperar esse período perdido na pandemia?
Alan Porto – É uma coisa que nos preocupa bastante. Os níveis educacionais baixaram bastante no país inteiro. Hoje, temos uma política pública que se chama Avalia MT. A gente tem seis avaliações no ano, que mostram que os níveis educacionais hoje são preocupantes. Hoje, um aluno do terceiro ano do Ensino Médio tem proficiência de um aluno do nono ano do Ensino Fundamental. O aluno do nono ano, tem proficiência de um aluno do quinto ano. E aquele aluno que deveria estar alfabetizado no segundo ano dos anos iniciais, está conseguindo se alfabetizar no quinto ano.
Nós temos uma defasagem de três a quatro anos em cada ciclo de formação. O que estamos fazendo para recuperar essa aprendizagem? Na escola regular, tenho matemática quatro horas na semana. Nessas quatro horas, uma hora é destinada para reposição da aprendizagem. É aquelas habilidades e competência que eles não tiveram nos anos anteriores para recompor. E nós temos também o laboratório de aprendizagem para aulas de reforço, com material didático de apoio. E claro que esses resultados não são a curto prazo. Ele é a médio a longo prazo, mas a gente está no caminho certo.
MidiaNews - O senhor está preocupado com essa nova onda da Covid. Teme ter que fechar escolas novamente?
Alan do Porto – Está totalmente descartado fechar as escolas novamente. Os dados e os indicadores mostraram para o mundo inteiro que fechar escolas não foi a decisão mais adequada. O Brasil foi campeão de dias de escolas fechadas e a gente está vendo o prejuízo. Por isso, está fora de cogitação fechar escolas.
O que nós temos que fazer é nos cuidar. Toda orientação e condição para que as escolas mantenham seus espaços adequados, limpos e a Seduc está apoiando. E o mais importante: vacinação. E aí o Estado vem reforçando esse processo comunicação.
MidiaNews - O projeto que vai reduzir a alíquota do ICMS dos combustíveis e energia recebeu criticas porque poderá reduzir o financiamento, entre outros, da Educação. O senhor já tem números das perdas para a Educação em Mato Grosso?
Alan Porto – A Secretaria de Fazenda está acompanhando. Mato Grosso já noticiado aí tem uma previsão de perda de receita de R$ 1,5 bilhão. Preocupa, porque é recurso que sai da Educação, da Saúde. Se concretizar de fato essas perdas, teremos que analisar nossas políticas. O mais importante é a gente garantir os três pilares da Educação, que é o acesso, a permanência e aprendizado.
MidiaNews - Considera que ao aprovar o projeto o Congresso virou as costas para a Educação e pensou apenas em eleição?
Alan Porto - Eu não entro nesse nível político, até porque não é o meu papel. Como gestor, tenho que me preocupar com as metas que o governador Mauro Mendes cobra e fazer com que, de fato, a política pública educacional aconteça dentro das nossas unidades escolares. Não me cabe julgar o que motivou essa decisão.
MidiaNews - Uma das apostas do Governo do Estado na Educação são as escolas militares, que são bem-vindas por uma parte da sociedade e criticada por outra. Qual a avaliação a respeito do desempenho delas?
Alan Porto – A gente tem várias modalidades, dentre elas, as escolas militares. Temos o novo Ensino Médio, que já falamos, as escolas de tempo integral. As escolares militares têm bons resultados na aprendizagem. São 22 e vamos aumentar para 30. Todos os municípios querem escola militar. A gente ouve muito da comunidade, dos pais, que é uma escola que gostariam que os filhos estudassem. Não é a solução para resolver os problemas da Educação, mas é uma alternativa. Como as escolas em tempo integral, o novo Ensino Médio, as escolas agrícolas, as escolas vocacionadas para o esporte.
Mas, claro, as escolas militares têm os melhores índices do Estado. O melhor resultado em nível de aprendizado que nós temos estão dentro das escolas militares. E as escolas militares é o professor da rede estadual, os investimentos são os mesmos. É a gestão mesmo que é diferenciada. Eu acredito que essa forma de liderar, de organizar é que faz com que as escolas tenham bons resultados. O que nós queremos é não essa diferença. A gente quer promover uma equidade na Educação.
MidiaNews - Mato Grosso foi classificado como 22º lugar no Ideb. A que se deve essa colocação?
Alan Porto – Em 2019, o Estado performou entre a 22º no Ensino Médio e 24º no Ensino Fundamental. Não tem como apontar quem errou e também não estamos procurando culpados. Alguma coisa estava errada, senão os resultados seriam diferentes. Então, aquela política pública pedagógica que foi seguida lá atrás não foi a mais adequada. A política pública de fazer a inclusão digital, a política pública da infraestrutura, de melhorar nossas escolas e não deixar sucateadas como estavam.
Hoje o Estado atua. Tem intervenção em mais de 50% da nossa rede para garantir um espaço digno, uma sala de aula bem iluminada, climatizada, com lousa. Colocando televisores de 65 polegadas, os alunos recebendo notebooks. A gente preparou a sala de aula para o nosso aluno do século 21. Um aluno que pega um smartphone e tem todas as informações. Estamos adaptando as nossas escolas com essas infraestruturas para tornar a sala de aula, a prática pedagógica, mais atrativa. Não dá mais para trabalharmos com o método tradicional como era antes.
Em cinco anos, vamos estar entre entre os dez melhores em educação do País. Em 10 anos, nós vamos entre os cinco melhores. Essa é a meta do nosso planejamento.
MidiaNews - O Ceará tem uma das melhores educações públicas do Brasil. O que eles fizeram que nós não?
Alan Porto – Uma coisa muito interessante que o Ceará fez foi a política da alfabetização na idade certa. Todo mundo fala de Sobral. O Ideb de Sobral varia de 9.2 a 9.5 nas unidades escolares. E nós temos essa política hoje, que é o Alfabetiza MT. Hoje, os 141 municípios trabalham com a gente, todos fizeram adesão. A gente investe R$ 16 milhões por ano nessa política pública e está em plena execução e é um sucesso. Nós vamos, sim, ter resultados. Vamos sim atingir bons índices como do Ceará e outros Estados, porque nossa política tem início, meio e fim.
Midia News - O Governo tem feito muitos investimentos em infraestrutura recentemente. E em relação a novas escolas e reformas, o que tem sido feito no Estado?
Alan Porto – Lá em 2019, quando o governador Mauro Mendes assumiu, o investimento que tinha para a infraestrutura das escolas era de R$ 2 milhões. Com esse dinheiro a gente não consegue reformar nem uma escola.
Em 2021, depois que o governador fez todo o ajuste fiscal do Estado, investimos 14% da nossa receita na Educação, significa dizer que foi investido R$ 470 milhões. E agora, em 2022, estamos investindo R$ 700 milhões. É investimento em todo o contexto da escola, porque a escola não é só o prédio público. Sim, tem o prédio público que estamos reformando, fazendo a manutenção, construindo novos, climatizando as escolas. Mas também fazendo investimento em tecnologia, em refeição de qualidade, em transporte escolar rural. São aqueles três pilares que eu já disse: o acesso, permanência e aprendizagem.
E mais, fazendo a inclusão. Nós tínhamos aí muito estudantes cegos e professores cegos. O governador autorizou e a gente investiu na tecnologia israelense Orca, que é um dispositivo que faz leitura facial, reconhecimento de texto. Isso é diminuir a evasão escolar, é dar garantia ao estudante que ele vai conseguir acompanhar o desenvolvimento de todos. Isso é só um exemplo. Temos política pública para alunos com autismo, dislexia, indígenas.
MidiaNews - É a favor de premiar com dinheiro, como ocorre em muitos países, os professores cujas turmas tiverem bons desempenhos?
Alan Porto – Dentro da nossa política pública do Alfabetiza MT já tem incentivo para as escolas. Aquelas escolas que conquistaram seus resultados, a gente apoia financeiramente. Para você ter uma ideia, esse ano foram 100 escolas que receberam esse incentivo. Essa iniciativa partiu lá do Ceará e a gente ajustou essa política pública para o Estado de Mato Grosso e está sendo um sucesso.
MidiaNews - Como avalia o cenário eleitoral para o governador Mauro Mendes?
Alan Porto – O governador Mauro Mendes ainda não falou se vai ser candidato, mas eu, Alan Porto, como cidadão, como eleitor, torço muito para que ele saia candidato e vença a eleição. Quem ganha com isso é Mato Grosso, é o cidadão mato-grossense.Estamos trabalhando aí para convencer ele ir à reeleição. Mas, é claro que isso é uma decisão dele, passa pela família dele. A gente sabe o momento difícil que eles estão passando por conta da saúde da nossa primeira-dama, Virginia Mendes. É uma decisão dele. Mas, vendo o tanto que esse Estado está crescendo, melhorando, na direção certa, torcemos para que essa direção certa continue.
MidiaNews - Como educador, qual a marca que o senhor acha que esse governo vai deixar na educação?
Alan Porto – O governador vai deixar um grande legado de investimento, de reconhecimento, de valorização profissional, de ambientes adequados, de investimento na política pedagógica. Essa política pública da Educação 10 anos é o maior legado que a Educação Pública de Mato Grosso já teve. A gente acredita muito que com a Educação você investe preventivamente e todas as áreas ganham. A saúde melhora, a segurança melhora. É o nível dos profissionais mato-grossenses que são inseridos no mercado de trabalho. O governador colocou a Educação no rumo certo e nós vamos colher sim resultados a curto prazo, mas os principais resultados vão acontecer a médio e longo prazo.
Fonte: MIDIANEWS