O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quinta-feira (22) 16 ministros que vão compor o seu governo a partir de janeiro de 2023 e apresentou as primeiras mulheres do mais alto escalão da próxima administração.
Ao todo, há 21 nomes oficializados das 37 pastas do futuro governo. Restariam ainda 16 ministros a serem confirmados nos cargos, que estão sendo negociados, em grande parte, com PSD, MDB, União, Rede, além do centrão. De acordo com Lula, 13 pastas seguem com seus titulares ainda indefinidos.
A divulgação dos nomes estratégicos do governo Lula foi feita no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), local escolhido como sede da transição, em Brasília, um dia depois da aprovação da PEC (proposta de emenda Constitucional) da Gastança.
O bloco político do centrão e outros partidos, como PSD, MDB e União Brasil acabaram não sendo contemplados no anúncio desta terça.
O centrão é comandado pelo PP de Arthur Lira (AL), presidente da Câmara, PL e Republicanos, que integram a base de apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ainda restam, no entanto, uma série de pastas que devem alocar nomes dos partidos do centro ou do centrão, como Cidades, Planejamento, Turismo, Minas e Energia e Integração Nacional.
Um dos principais nós ainda a ser desatados diz respeito à senadora Simone Tebet (MDB), terceira colocada na disputa presidencial e que aderiu a Lula no segundo turno. Ela desejava ocupar Desenvolvimento Social, mas a pasta foi dada ao senador petista Wellington Dias (PI).
Tebet poderá ocupar Meio Ambiente, mas a pasta também é reivindicada pela Rede para a ex-ministra e ex-presidenciável Marina Silva.
Carlos Fávaro, que vai ocupar a Agricultura, mas ainda não foi anunciado oficialmente, é senador pelo PSD do Mato Grosso e foi um dos articuladores da campanha petista junto ao agronegócio, desde o primeiro turno. O senador Alexandre Silveira (MG), é outro dos nomes do PSD cotados para o primeiro escalão de Lula.
Apesar de apoiar o governo Bolsonaro, o centrão foi essencial para a aprovação da PEC da Gastança no Congresso e já vem pleiteando algumas pastas, tendo à frente Arthur Lira, que terá apoio do PT à sua reeleição em fevereiro.
Lira tentou emplacar uma indicação para o comando da Saúde, mas Lula anunciou Nísia Trindade, socióloga, professora e presidente da Fiocruz desde 2017.
No entanto, ao grupo não interessa apenas pastas no alto escalão do Executivo, mas também o comando de postos estratégicos como a Condevasf.
Veja como ficou Governo
Secretaria das Relações Institucionais, Alexandre Padilha: Médico, deputado federal, volta a ocupar a pasta que já chefiou; também foi ministro da Saúde
Secretaria-Geral, Márcio Macedo: Biólogo, deputado federal e vice-presidente do PT
Advocacia-Geral da União, Jorge Messias: Procurador da Fazenda Nacional
Controladoria-Geral da União, Vinicius Carvalho: Advogado e ex-presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica Desenvolvimento
Ministério da Saúde, Nisia Trindade: Socióloga, professora, servidora da Fiocruz desde 1987 e presidente da Fiocruz desde 2017
Ministério da Educação, Camilo Santana: Senador e duas vezes governador do Ceará
Ministério da Gestão, Esther Dweck: Economista e professora da UFRJ, trabalhou no ministério do Planejamento
Ministério dos Portos e Aeroportos, Márcio França: Advogado, foi vereador, duas vezes prefeito de São Vicente, deputado federal e governador de São Paulo
Ministério da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos: Deputada Federal entre 2010 e 2018, é governadora de Pernambuco e presidente do PCdoB
Ministério da Mulher, Cida Gonçalves: Especialista em violência de gênero, foi secretária nacional de enfrentamento à violência contra as mulheres nos governos Lula e Dilma
Ministério do Desenvolvimento Social, Wellington Dias: Foi vereador, deputado estadual, federal, duas vezes senador e quatro vezes governador do Piauí
Ministério da Cultura, Margareth Menezes: Cantora, compositora e atriz
Ministério do Trabalho, Luiz Marinho: Ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, foi prefeito de São Bernardo do Campo e ministro da Previdência e do Trabalho
Ministério da Igualdade Racial, Anielle Franco: Jornalista, professora e ativista, é diretora do Instituto Marielle Franco
Ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida: Advogado e escritor, bacharel em Direito pelo Mackenzie e Doutor pela Universidade de São Paulo
Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin: Vice-presidente eleito, foi governador de São Paulo quatro vezes, deputado federal e prefeito